O agricultor Almir Brum, de 32 anos, filho de brasileiros que passou 103 dias desaparecido no Paraguai, permanece sob proteção policial após ser encontrado e voltar para casa.
Segundo o irmão, Walter Brum, cerca de 20 policiais fazem a escolta do agricultor enquanto as autoridades paraguaias continuam as buscas pelo grupo criminoso suspeito de envolvimento no caso.
Almir desapareceu no Departamento de Caaguazú, a cerca de 150 quilômetros da fronteira com o Brasil. Desde o reaparecimento, confirmado nesta semana, ele está acompanhado por agentes de segurança enquanto a investigação avança.
De acordo com as autoridades paraguaias, a principal linha de investigação é de que o agricultor tenha sido vítima de um sequestro praticado por um grupo armado que atua na região. Até o momento, detalhes sobre o local onde ele permaneceu durante o desaparecimento não foram divulgados.
Segundo a família, Almir conseguiu escapar dos criminosos antes de ser localizado. O irmão dele, Walter Brum, relatou que o agricultor passou dias caminhando em uma área de mata sem saber exatamente onde estava.
"Ele escapou no dia 1 de junho. Estava andando no mato sem saber onde estava. Na quinta (6), conseguiu avisar e fomos buscar ele", contou.
Ainda segundo Walter, Almir foi encontrado nas proximidades da reserva florestal de Marina Cue, na região de Curuguaty, no departamento de Canindeyú, próximo à localidade conhecida como Campo Aguae, no quilômetro 21.
Após o reencontro, familiares afirmaram que o agricultor retornou em segurança.
"Voltou para casa são e salvo. Foi um milagre", disseram.
Em entrevista coletiva, o ministro da Defesa do Paraguai, Óscar González, afirmou que a prioridade durante toda a operação foi preservar a vida de Almir.
"Essa foi sempre a preocupação do senhor presidente, fazer tudo o que precisa ser feito para buscar o Almir, mas sem colocar a vida dele em perigo", declarou.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, também informou que determinou medidas de proteção ao agricultor enquanto as investigações prosseguem.
As autoridades paraguaias seguem investigando o caso para esclarecer o que aconteceu durante os mais de três meses em que permaneceu desaparecido e auxiliar na identificação dos responsáveis pelo crime.
Desaparecimento
Segundo familiares, Almir desapareceu enquanto trabalhava no campo, no dia 20 de fevereiro deste ano. Na ocasião, parentes encontraram a colheitadeira que ele operava ainda ligada, com o celular dele no interior da máquina.
A família também localizou um panfleto que teria sido deixado pelos sequestradores e que fazia referência a um grupo considerado terrorista no Paraguai.
Após o desaparecimento, um decreto do presidente do Paraguai, Santiago Peña, determinou a mobilização da Polícia Nacional e das Forças Armadas para as buscas por Almir.