O agronegócio do Paraná admite um “cenário não favorável” nos próximos meses com a incidência do Super El Niño no Brasil. Com o início da primavera, a expectativa do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) é de aumento nas chuvas e temporais no estado até o final do ano.
A atualização mais recente do Climate Prediction Center, órgão ligado à NOAA, aponta que o fenômeno está se intensificando e há mais de 90% de probabilidade de um evento muito forte durante o outono e inverno do Hemisfério Norte de 2026-2027.
Para o Paraná, o Simepar prevê chuva acima da média em todos os meses até dezembro. As diferenças mais expressivas em relação à média devem ocorrer no Oeste, Sudoeste e Centro-Sul em novembro e na faixa Oeste em dezembro.
Dentro desse cenário, o agronegócio do Paraná – responsável por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, segundo dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), já avalia possíveis danos à produção agropecuária devido aos eventos climáticos extremos.
O gerente do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP, Jefrey Kleine Albers, avalia que são dois riscos principais enfentados pelo agronegócio com a ocorrência dessas intempéries.
A primeira são os estragos diretos em estruras, como barracões, aviários e estruturas elétricas, o que gera impacto na perda de grãos e animais aos produtores.
Outro impacto é nas lavouras. Com as fortes chuvas, a quantidade de água impede o plantio, devido ao terreno ficar muito úmido, o que pode gerar perda na expectativa da produção de grãos do Paraná.
Kleine Albers avalia que o principal auxílio que o produtor rural precisa do Poder Público é com a questão do seguro rural.
“Porque o produtor, se ele eventualmente não tiver produção, se tiver uma perda na sua produção, ele precisa, por exemplo, em negociar dívidas, ele precisa de um apoio governamental nesse sentido, das políticas públicas que permitam que ele consiga organizar as suas atividades para que ele não tenha maiores consequências ou até, eventualmente, uma catástrofe maior para ele ter que parar com a sua atividade. Muitos dos produtores financiam os seus plantios, as suas safras, e a perda de produção pode encadear um problema financeiro sério para os produtores”, analisa.
Impactos no agronegócio do Paraná com El Niño vão repercutir no bolso do consumidor
O gerente do Departamento Técnico e Econômico do Sistema FAEP relaciona que possíveis impactos na produção agropecuária do Paraná vão repercutir em toda a cadeira, o que inclui o consumidor final.
“De qualquer forma, qualquer expectativa pessimista de que a gente tenha perda de produção ou de produtividade, a gente vai ter impacto dentro do mercado com o aumento de preços numa parte para a renda do produtor, mas muito chegando também na gôndola do consumidor porque num efeito de esteira se reduz a oferta dos produtos na base, lá na sua origem, no setor primário, isso vai gerar consequências também para o mercado e a gente vê um desenho possível de até aumento de inflação por conta de aumento de preços e quem acaba pagando essa conta é o consumidor final, a população de modo geral”, complementa.
Até o momento, o Departamento de Economia Rural (Deral), ligado a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná, não alterou de forma significativa as previsões para a safra de grãos do estado.
A última estimativa, publicada em 15 de setembro, apontou que o plantio da primeira safra 2026/2027 alcançou 43% dos 373 mil hectares projetados, com 97% das lavouras implantadas em boas condições.
Levantamento, divulgado nesta quinta-feira (23) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), aponta previsão de 44,17 milhões de toneladas de grãos colhidas no ciclo 2026/2027 no Paraná – alta de 0,18% na comparação com o período anterior.
Agronegócio do Paraná admite "cenário não favorável" com Super El Niño
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23/09/2026
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Fonte: Ric Mais
Crédito da imagem: (Foto: José Fernando Ogura/AEN)
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