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BTG capta US$ 1,24 bi para fundo de reflorestamento e prioriza Cerrado

calendar_month 04/05/2026
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BTG capta US$ 1,24 bi para fundo de reflorestamento e prioriza Cerrado

O BTG captou US$ 1,24 bilhão para seu fundo de restauração florestal, o Timberland Investment Group (TIG), na maior captação de recursos da história com esse fim, superando sua meta inicial, de R$ 1 bilhão. Os recursos serão utilizados para restaurar e conservar aproximadamente 270 mil hectares na América Latina, com o Cerrado como um dos biomas prioritários. O retorno do investimento ocorrerá com a venda de créditos de carbono verificados pela Verra.

Participaram do aporte diversas instituições de fomento, como o BNDES — que se comprometeu com um aporte de até R$ 300 milhões —, CAF – Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe, a instituição alemã de financiamento ao desenvolvimento DEG, o banco de desenvolvimento empresarial holandês FMO, o International Finance Corporation (IFC), que é o braço corporativo do Banco Mundial, o Impact Fund Denmark, o programa Mobilising Finance for Forests, que é financiado pelo governo do Reino Unido e pelo governo do Reino dos Países Baixos e administrado pela FMO, o fundo soberano da Nova Zelândia — New Zealand Superannuation Fund — e a Fundação da Universidade Estadual de San Francisco (assessorada pela Cambridge Associates).

Também participaram investidores privados, como a Mitsui O.S.K. Lines, o fundo australiano NGS Super, a seguradora japonesa Tokio Marine & Nichido Fire Insurance Co., e a brasileira Vale.

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A estratégia de recuperação do TIG é tocada pela organização não governamental Conservation International, que atua fornecendo insumos e aconselhamento para ajudar a fortalecer os resultados ambientais, climáticos e sociais. A estratégia também incorpora os padrões de desempenho da IFC nas suas operações.

Projeto em andamento

O TIG já iniciou a recuperação de mais de 20 mil hectares e mantém outros 20 mil hectares sob conservação. Segundo o BTG, já iniciou o plantio de cerca de 29 milhões de árvores em mais de 25 mil hectares de pastos degradados em Mato Grosso do Sul e Minas Gerais

O projeto, chamado o Brasil Cerrado 1, foi certificado pela Verra e já pode emitir 230,12 mil unidades de carbono verificadas (VCUs). Em seu ciclo de 20 anos de certificação aprovada, o projeto deve remover 7 milhões de toneladas de carbono equivalente da atmosfera.

Foi o primeiro projeto de carbono do mundo a receber créditos sob a metodologia de florestamento, reflorestamento e revegetação (ARR) da Verra. A metodologia (VM0047) está entre as aprovadas pelo Conselho de Integridade para o Mercado Voluntário de Carbono (ICVCM), órgão independente de governança do mercado voluntário de carbono, em seus Princípios Fundamentais de Carbono (CCPs), que definem os critérios para classificar créditos de carbono de alta integridade.

Nas áreas já em conservação, todas as florestas estão certificadas pelos padrões do Forest Stewardship Council (FSC) ou em processo de certificação até o fim de 2025.

Impacto socioeconômico

Para estas ações, o TIG mobilizou grupos locais, como a Rede de Sementes Nativas de Mato Grosso do Sul, e treinou 26 novos coletores, reunindo 5,6 toneladas de sementes nativas. Segundo o BTG, as vendas de sementes para viveiros e projetos de restauração geraram uma renda equivalente a aproximadamente 20% da renda familiar média regional por coletor.

Nas ações de plantio de árvores e conservação, o fundo informou que já “apoiou” 518 empregos diretos e indiretos de tempo integral, e que quando o fundo estiver totalmente implementado, devem ser apoiados 2,7 mil empregos diretos e indiretos em tempo integral. O banco ressaltou que o número de empregos gerados é bem maior do que havia em relação aos usos anteriores da terra, como a pecuária.

Pesquisa

O TIG também tem uma parceria com o Laboratório de Restauração Florestal da Universidade Federal de Viçosa (UFV) em Minas Gerais, para testar diferentes métodos de restauração, como semeadura direta, plantio de mudas nativas e técnicas de regeneração natural, em campo de testes de 81 hectares.

“Os dados permitirão a identificação das técnicas de restauração mais eficazes, que poderão ser replicadas em outras propriedades em Mato Grosso do Sul, visando acelerar a restauração, reduzir custos e identificar as espécies com maior potencial de sequestro de carbono”, afirmou Sebastião Venâncio Martins, professor do Departamento de Engenharia Florestal da UFV, em nota.

O fundo do BTG já realizou dois acordos relacionados a créditos de remoção de carbono baseados na natureza em junho e setembro de 2024.

O TIG já administra US$ 7,5 bilhões em ativos florestais, que somam cerca de 1,2 milhão de hectares sob gestão nos Estados Unidos e na América Latina.

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