A Polícia Civil do Paraná (PCPR) divulgou, nesta quarta-feira (2), que concluiu as investigações sobre o acidente de trânsito que matou o motociclista Tommy Rodrigues Beva, de 36 anos, na PR-151. A situação aconteceu no dia 20 de março em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.
De acordo com o delegado Maurício Souza da Luz, o motociclista foi atingido na traseira por um caminhão no momento em que cruzava por um radar de velocidade. Com o impacto da batida, ele sofreu politraumatismos e morreu no local.
"A análise pericial das marcas de frenagem, que se estenderam por aproximadamente 185 metros, apontou que o caminhão trafegava a uma velocidade mínima aproximada de 148,2 km/h no momento do acionamento dos freios, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 60 km/h. Diante das circunstâncias, a autoridade policial concluiu que a conduta ultrapassou a mera imprudência, indicando assunção do risco de produzir o resultado morte".
O caminhoneiro tem 56 anos. A polícia não divulgou o nome dele.
O homem foi indiciado por homicídio qualificado, na modalidade de dolo eventual, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, e também pelo crime de inovação artificiosa porque, segundo o delegado, ele adulterou o tacógrafo do caminhão para dificultar as investigações.
"O exame pericial apontou que o disco do tacógrafo do caminhão não registrou a movimentação do veículo no período correspondente ao sinistro. Os elementos reunidos indicaram que o instrumento teria sido adulterado com o objetivo de dificultar a apuração da dinâmica do acidente. [...] Consideradas as imputações atribuídas ao investigado, as penas máximas em abstrato dos crimes podem alcançar mais de 30 anos de reclusão".
O caminhoneiro respondeu ao inquérito em liberdade. O delegado afirma que, durante as investigações, pediu a prisão preventiva dele ou que ele ficasse sob uso de tornozeleira eletrônica, mas que os pedidos foram negados pela Justiça.
Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que agora avalia se oficializa, ou não, denúncia criminal contra o motorista.
O delegado Maurício Souza da Luz avalia que a atuação da Polícia Civil no caso reafirma o compromisso institucional com a responsabilização penal em crimes no trânsito que resultam em mortes.
“A condução de um veículo de carga a quase 150 km/h e a tentativa de fraudar a fiscalização demonstram total desprezo pela vida humana e pela Justiça. Uma investigação técnica e responsável é essencial para garantir justiça às vítimas e seus familiares”, afirmou.