A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi solta, nesta sexta-feira (22), após a Corte de Cassação da Itália negar um pedido de extradição da ex-parlamentar, expedido pelo governo brasileiro.
Ao deixar a prisão, Zambelli publicou um vídeo nas redes sociais de seu advogado italiano, em que afirma que “continuará sua vida de missão”, sem dar detalhes sobre sobre seus novos projetos.
“Agora, a gente está livre para continuar uma vida de missão. Vocês não sabem ainda qual é essa missão, mas logo vão saber pelos meus canais”
Os detalhes da decisão do tribunal, que é a última instância do Judiciário italiano, ainda não foram divulgados. Nas instâncias inferiores, a extradição foi aceita, mas não foi executada porque ainda cabia recurso.
O processo ainda precisa do parecer do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. O ministro tem um prazo de 45 dias para se manifestar a partir do acórdão da nova decisão da Justiça.
De acordo com a defesa de Zambelli, o tribunal reconheceu que houve erros nas decisões que autorizaram a extradição e que ela é uma perseguida política no Brasil. Dessa forma, a ex-deputada poderá deixar a prisão nos próximos dias e aguardar o desfecho do processo em liberdade.
Em julho do ano passado, a ex-deputada foi presa em Roma, capital da Itália, onde tentava escapar do cumprimento de um mandado de prisão emitido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Zambelli tem duas condenações no Brasil, mas extradição foi negada
Por ter dupla cidadania, Zambelli deixou o Brasil em busca de asilo político em terras italianas após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão pela invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocorrido em 2023.
De acordo com as investigações, Zambelli foi a autora intelectual da invasão para emissão de um mandato falso de prisão contra Alexandre de Moraes. Segundo as investigações, o hackeamento foi executado por Walter Delgatti, que também foi condenado e confirmou ter realizado o trabalho a mando da parlamentar.
Depois, Zambelli recebeu uma segunda condenação, de cinco anos e três meses, por perseguir armada um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022.
Após a fuga para a Itália, o governo brasileiro solicitou a extradição da ex-deputada para o Brasil.