Durante a31ª edição da Agrishow, a gaúchaStara, fabricante 100% brasileira demáquinas agrícolase com o mercado interno como principal negócio, apresentou sua mais nova aposta para o setor: oSpartakus, que promete unir, em um único equipamento, as funções de distribuidor por barra e pulverizador.
A companhia, com sede em Não-Me-Toque (RS), integrou em um único autopropelido as funções de distribuição pneumática de fertilizantes, pulverização e aplicação por barras. De acordo comCristiano Buss, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento,oobjetivo é otimizar a produção e aumentar a precisão das operações no campo. Toda a tecnologia foi desenvolvida integralmente no Brasil.
Uma nova proposta
Buss explica que o Spartakus adota o conceito demáquina combinada. “Antes, havia uma máquina para pulverização, responsável pela aplicação de herbicidas e fungicidas, e outra para distribuição de fertilizantes. O Spartakus reúne essas duas funções em um único equipamento, além de permitir a aplicação de fertilizantes pela barra”, afirma.

Tradicionalmente, essa distribuição é feita por arremesso, o que pode gerar perdas devido à ação do vento. “Com a barra, conseguimos controlar melhor a aplicação, aumentando a precisão”, explica.
A máquina possui várias saídas, cada uma com atuadores eletrônicos que ajustam a distribuição. O sistema utiliza mapeamento e identificação da área, permitindo ao operador ajustar a dosagem de forma precisa, sem a necessidade de calibração manual com bandejas.
Buss também destaca que a configuração com barras centrais, aliada ao controle por seções independentes, com desligamento automático e compensação em curvas, contribui para uma aplicação mais eficiente, evitando sobreposições e falhas durante a operação.
Quanto à autonomia, osreservatórios contemplam 3 mil litros de calda e 4 metros cúbicosde fertilizantes granulados e sementes.
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Desenvolvimento e validação com produtores
A partir do retorno dos clientes, foi possível incorporar ao projeto do Spartakus o diferencial da distribuição de fertilizantes por barra. O equipamento ainda não tem data de lançamento definida, segundo a companhia.
“A ideia foi criar a máquina e trazê-la para a feira para ouvir os agricultores. Temos uma equipe de engenharia, com cerca de sete profissionais, coletando feedback: o que acharam, o que mudariam, sugestões. A partir disso, vamos validar o escopo e transformar o conceito em produto final”, explica Buss.
Estrutura e capacidade de desenvolvimento
O diretor destaca que a máquina surge em um momento de internacionalização, expansão e forte investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D). Atualmente, a empresa conta com três fábricas no Brasil, uma na Argentina e cerca de 4 mil colaboradores.
“Desse total, aproximadamente 300 atuam exclusivamente com engenharia e desenvolvimento de produto. Com isso, desenvolvemos não apenas as máquinas, mas também toda a parte eletrônica, os computadores e o software”, explica.
“Começamos a desenvolver nossa própria tecnologia aqui no Brasil por volta de 2006. Isso aconteceu porque um dos nossos fornecedores, que era da Alemanha, acabou quebrando”, complementa. A partir disso, a Stara passou a investir em especialização e a desenvolver tecnologia internamente.
“Também adquirimos uma empresa na Austrália, trouxemos toda a propriedade intelectual para o Brasil, encerramos a operação lá e centralizamos tudo aqui”, afirma.
Impacto para o produtor
Por ainda estar em fase de testes,a Stara não divulgou resultados ou números que comprovem a eficiência do Spartakus. Ainda assim, o diretor afirma que o equipamento tende a impactar positivamente o produtor, especialmente diante doaumento no custo dos fertilizantes, ao melhorar a eficiência e reduzir desperdícios.
Apesar de ainda não haver definição oficial,a expectativa é de que o Spartakus esteja entre os equipamentos de maior valor da empresa, devido ao nível de tecnologia embarcada.
Parceria com Starlink
O Spartakus é um dos equipamentos que contam com atecnologia da Starlink, da SpaceX, que permite conexão de internet via satélite diretamente nasmáquinas agrícolas. A parceria foi firmada em agosto de 2025 e, a partir doprimeiro semestre de 2026, os autopropelidos passaram a sair de fábrica equipados com kits de conectividade.
No Brasil, a Stara é a primeira fabricante de máquinas agrícolas a oferecer esse tipo de conexão. Multinacionais como CNH, dona das marcas Case e New Holland, e John Deere já disponibilizam esse serviço.
“Hoje, mais de 90% dos problemas são resolvidos à distância, o que reduz significativamente o tempo de parada”, explica. o diretor.
Além do auxílio ao produtor, Buss enxerga o Spartakus como uma alternativa ao cenário atual do setor rural. “Hoje, somente 13% das pessoas vivem no campo. Daqui a 50 anos, esse número deve cair para 3%. Não haverá mão de obra suficiente para atender à demanda por produção”, afirma.
Com isso, o diretor acredita que máquinas que aumentem a eficiência e a autonomia das operações, seja por meio da combinação de funções ou do uso de sistemas inteligentes, serão cada vez mais necessárias.
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