Rádio Guaçu de Toledo

Fortalecimento do El Niño pode favorecer chuvas no Sul do Brasil

calendar_month 17/04/2026
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Fortalecimento do El Niño pode favorecer chuvas no Sul do Brasil

As previsões climáticas para os próximos meses indicam um período de transição do El Niño, para um risco crescente de fortalecimento do fenômeno no segundo semestre de 2026. As projeções são da consultoria StoneX, e foram divulgadas em relatório.

Segundo a consultoria, o quadro de clima no Brasil reforça a necessidade de cautela do agronegócio diante de chuvas mais irregulares, temperaturas acima da média em diversas regiões e impactos regionais desiguais sobre a produção.

Segundo os principais centros internacionais de monitoramento climático, a chance de neutralidade do El Niño é de cerca de 60% entre março e maio e de 70% entre abril e junho, com projeções semelhantes se estendendo até julho. A partir do segundo semestre, os modelos passam a indicar aquecimento do Pacífico Equatorial, com aumento da probabilidade de formação de um El Niño.

“Os próximos meses de transição devem ser marcados por um cenário climático instável, em que o sinal do oceano aponta para neutralidade, enquanto o aquecimento global de fundo segue pressionando as temperaturas e aumentando a volatilidade regional”, afirmam em nota, Carolina Giraldo, analista de Inteligência de Inteligência de Mercado da StoneX. “Isso exige decisões mais cautelosas no campo, porque os padrões clássicos do ENOS [El Niño] já não explicam, sozinhos, o comportamento do clima”, acrescentou.

As análises mais recentes da temperatura da superfície do mar indicam anomalias positivas em escala global para o trimestre abril–maio–junho, incluindo sinais de aquecimento no Pacífico Equatorial e no Atlântico Sul. Este último pode favorecer episódios pontuais de maior quantidade de chuvas para o Sul do Brasil, especialmente quando combinado à atuação de sistemas atmosféricos regionais.

Em termos de precipitação, para o mês de maio, a tendência de chuvas mais elevadas pode alcançar áreas do noroeste do Brasil, ao passo que América Central e norte da América do Sul entram em um período mais seco. Para junho, os modelos indicam neutralidade pluviométrica em grande parte da África e chuvas acima da média em áreas do Brasil e do extremo oeste da Colômbia.

“O ponto-chave não é apenas quanto vai chover, mas quando e onde. A irregularidade espacial e temporal das precipitações permanece como o principal desafio para o agro no curto prazo”, destaca Carolina.

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Impactos esperados para o agronegócio

Na América do Sul, o cenário de transição climática amplia as incertezas sobre a finalização da safrinha do milho. A possível intensificação da corrente de jato subtropical pode dificultar o avanço regular de frentes frias pelo interior do continente, reduzindo a umidade no Sudeste e no Centro-Oeste e antecipando o fim das chuvas em Estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná. Esse movimento pode afetar a formação de biomassa e a produtividade em fases críticas do ciclo agrícola.

Apesar disso, acrescenta a StoneX, a umidade observada em parte do Brasil nos meses anteriores é compatível com indícios de supersafra de grãos em 2025/2026 e favorece a recuperação parcial de culturas como café e cana-de-açúcar, especialmente em regiões com melhor recomposição hídrica. Em contrapartida, episódios recentes de excesso de chuva em Estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais mostraram que volumes elevados também podem impor restrições operacionais, atrasar colheitas e comprometer janelas ideais de plantio.

“O agro está lidando com um clima mais errático. O mesmo sistema que traz benefício para uma região pode gerar perdas em outra. Por isso, o planejamento precisa considerar margem de segurança e gestão ativa de risco climático”, avalia a analista.

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