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Guardiões de sementes preservam cultura alimentar em pequenas propriedades

calendar_month 04/05/2026
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Guardiões de sementes preservam cultura alimentar em pequenas propriedades

Há 34 anos, quando tinha 17 anos, Rosana Martuchelli Nogueira sentia um incômodo ao ver as mudanças que o Vale dos Lúcios, em Teresópolis (RJ), vivia. Filha de agricultores, ela foi testemunha do esforço que seus pais faziam para preservar suas próprias sementes a cada nova safra:

Os grãos não estragavam mesmo após tanto tempo guardados, e a explicação do seu pai era:“o pó de onde a semente foi cultivada”, o que foi confirmado cientificamente, com a ajuda da Embrapa.

"Comecei a estudar, tive acesso à Embrapa, e descobrimos que tem um microrganismo que protege o feijão e o milho do caruncho. Meu pai colocava esse microrganismo sem entender o que estava fazendo, mas fazia o certo", lembra.

Hoje com 51 anos, ela tem sido responsável por preservar um patrimônio, ao manter a genética de sementes ancestrais de milho e feijão. Essas sementes não passaram pelos processos de melhoramento genético modernos, que dão origem a híbridos e transgênicos patenteados e que são recomprados a cada nova safra.

Incomodada na época com a popularização do cultivo de híbridos na localidade, ela iniciou um resgate do plantio de sementes crioulas na região que persiste até hoje.

A mil quilômetros de Teresópolis, em Palmeira (PR), a mesma preocupação motivou a agricultora Ana Andréa Jantara a criar seu banco. "Com o tempo, fui percebendo que essas sementes crioulas estão cada vez mais escassas. Por isso, eu quis resgatá-las, para que meus filhos também pudessem consumir esse alimento."

Ela mantém mais de 200 variedades de sementes crioulas de grãos, legumes e hortaliças. Ana Andréa se tornou referência na região, recebendo sementes de produtores que encerravam seus plantios.

"Cada semente carrega a história de um povo, de pessoas, e de comunidades inteiras."

De acordo com o engenheiro agrônomo Leandro Barradas, professor do curso técnico de Agronomia da Escola Técnica Estadual de Andradina, essas espécies são importantes por sua alta rusticidade e adaptação ao seu ambiente de origem, onde foram selecionadas por gerações, além de garantirem soberania e autonomia aos agricultores.

"A semente híbrida te amarra a um pacote tecnológico inteiro, o que eleva o custo de produção. Na região de Andradina, esse plantio fica entre R$5 mil e R$ 6 mil o hectare de milho transgênico, enquanto o milho crioulo no sistema agroecológico tem custo de R$ 1 mil a R$ 2 mil", afirma.

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