O banho de óleo, do qual Gustavo Henrique Lara participou para comemorar a graduação e o primeiro voo solo, foi feito pelo instrutor dele, que não teve o nome divulgado.
Segundo o delegado Lucas Petry, ele está sendo investigado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
O delegado contou que o instrutor se apresentou espontaneamente na delegacia e chegou em estado de choque. Ele foi preso em flagrante, foi ouvido e liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.
A família de Gustavo não quis dar entrevista, mas informou que trata o caso como uma fatalidade, pois os dois eram amigos.
O caso aconteceu na noite desta quinta-feira (16) em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) informou que, após ter contato com o óleo, Gustavo sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de uma reação alérgica. Ele teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias; as duas primeiras foram revertidas, mas o piloto não resistiu à terceira.
O delegado confirmou que a substância é um óleo usado nos motores de aeronaves. Em depoimento, o instrutor disse que o banho nos formados é feito do pescoço para baixo.
A Polícia Civil informou ainda que, "até o momento, não foram identificados elementos que indiquem intenção de provocar a morte da vítima".
A investigação vai apurar as circunstâncias do caso, incluindo qual era a composição da substância utilizada, a quantidade usada, as regiões do corpo atingidas e se há relação entre o procedimento realizado e a morte.
Foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial para confirmar a causa da morte.
A polícia também deve analisar imagens, documentos e ouvir testemunhas, participantes do ritual e familiares da vítima.
Antes de passar mal, jovem comemorou a formação
No mesmo dia do primeiro voo solo, Gustavo fez uma postagem nas redes sociais comentando a própria felicidade devido à conquista.
"Pode ser que hoje seja o melhor dia de toda a minha formação de piloto até aqui", escreveu ele em uma foto do avião.
Segundo familiares, Gustavo vinha se preparando para o momento com aulas e estudos há oito anos. Tanto é que amigos e pessoas da família foram convidados para acompanhar o seu "batismo" nos céus.
Eles estavam presentes quando o piloto passou pelo ritual de "banho" com óleo de motor e teve uma reação alérgica à substância, que acabou o levando à morte.
Em nota, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa manifestou pesar pelo falecimento do aluno e disse que, em respeito à memória dele, à sua família e ao "trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas".
O que diz a escola de aviação
Veja, abaixo, a íntegra da nota divulgada pelo Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa:
"O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do piloto Gustavo Henrique de Lara, ocorrido após a realização de seu voo solo.
Esclarecemos que o lamentável fato ocorreu fora da área do CIAC, logo após o encerramento da atividade de voo da data de ontem (16).
Neste momento de imensa tristeza, expressamos nossa solidariedade e nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e a todos que conviviam com o Gustavo Lara, desejando força e serenidade para enfrentar esta irreparável perda.
O CIAC de Ponta Grossa permanece à inteira disposição das autoridades competentes para colaborar com todos os esclarecimentos que se fizerem necessários, bem como para prestar o apoio cabível aos familiares, dentro de suas possibilidades.
Em respeito à memória do aluno, à sua família e ao trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, o CIAC não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas."