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Mandante de emboscada que matou homens que cobraram dívida no PR agiu por achar que 'poderia fazer o que bem entendesse', diz delegado

calendar_month 20/08/2026
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Mandante de emboscada que matou homens que cobraram dívida no PR agiu por achar que 'poderia fazer o que bem entendesse', diz delegado

Pai e três filhos foram presos como os principais suspeitos de envolvimento nas mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza. Segundo o delegado Leonardo Martinez, da Polícia Civil (PC-PR), um dos filhos foi o mandante.

Os presos foram identificados como Antônio Buscariollo (pai), Paulo Ricardo Costa Buscariollo (filho), Carlos Henrique Buscariollo (filho) e Carlos Eduardo Buscariollo (filho). No início das investigações, apenas os nomes de Antônio e Paulo foram divulgados como suspeitos, que estavam foragidos havia mais de um ano e na lista vermelha da Interpol.

Nesta quarta-feira (19), Antônio, Paulo e Carlos Henrique passaram por audiência de custódia, e o juiz homologou as prisões temporárias. Eles devem permanecer presos no estado de São Paulo, a princípio, conforme a defesa. Carlos Eduardo já estava preso em São Bernardo do Campo (SP), respondendo a outro processo.

Martinez explicou que o mandante do crime foi Carlos Henrique, encontrado e preso em Santa Bárbara do Oeste (SP) e quem administrava a dívida que foi cobrada pelas vítimas.

"Ele [Carlos Henrique] foi imediatamente comunicado a respeito dessa presença desses cobradores ali naquele local. E ele ali, imbuído por esse sentimento de soberania, naquele local que ele poderia fazer o que bem entendesse, determinou execuções", disse Martinez.
Antônio e Paulo ficaram foragidos por um ano até serem encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP).

"Autor é aquele que manda matar também", o delegado pontuou.

A polícia informou que não descarta a participação de outras pessoas no crime. Entretanto, não irá divulgar detalhes sobre esses suspeitos para não comprometer as investigações.

Até a última atualização desta reportagem, também não foi divulgada a dinâmica do crime e como cada um atuou.

A defesa dos suspeitos disse, na terça-feira, que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso. Nesta quarta, emitiu um novo comunicado à imprensa negando que Carlos Eduardo responda pelo crime de tráfico de drogas, como foi citado na coletiva de imprensa da Polícia Civil.

Prisões
No início da manhã desta terça-feira (18), Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo, pai e filho foragidos havia mais de um ano, foram encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras (SP), segundo a Polícia Civil. Os dois tinham os nomes na lista vermelha da Interpol, a Organização Internacional de Polícia Criminal.

Carlos Henrique Buscariollo, filho de Antônio, também foi preso em Santa Bárbara do Oeste (SP). Um terceiro filho, Carlos Eduardo Buscariollo, foi o quarto alvo. Ele já estava preso por tráfico de drogas, em São Bernardo do Campo (SP).

Segundo a Polícia Civil, os foragidos foram localizados após diversos levantamentos de inteligência policial e monitoramento realizado pela PC-PR.

“Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio à mata”, disse o delegado da PCPR Thiago Teixeira, por meio de nota.

Em nota, a defesa de três dos suspeitos disse aguardar a audiência de custódia e que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso. Confira abaixo.

A dívida
A polícia apurou que as quatro vítimas fariam uma cobrança relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo.

O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga. Caso os cobradores conseguissem o pagamento, receberiam metade do valor arrecadado.

Ainda no dia 4 de agosto, todos foram até o distrito de Vila Rica para fazer o primeiro contato com Antônio e Paulo. Nesta ocasião, a polícia apurou que os Buscariollo tentaram ceder uma casa na área urbana da cidade, mas as partes não chegaram a um acordo.

A câmera de segurança de uma panificadora de Icaraíma fez o último registro dos quatro com vida na manhã do dia 5 de agosto.

Segundo a polícia, por volta das 12h daquele mesmo dia, as vítimas conversaram com as famílias pela última vez. Também foi nesta data que a polícia acredita que os quatro homens foram mortos em uma emboscada assim que voltaram à propriedade rural dos suspeitos, por volta das 12h30.

Em 6 de agosto de 2025, a esposa de Robishley procurou a polícia do estado de São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos dele, sem saber dos homicídios.

O que a defesa diz
O advogado Renan Farah disse na terça-feira que possui provas de que Carlos Henrique Buscariollo não teve envolvimento com o caso. Nesta quarta, emitiu um novo comunicado à imprensa negando que Carlos Eduardo responda pelo crime de tráfico de drogas, como foi citado na coletiva de imprensa da Polícia Civil. Leia:

"A defesa da família Buscariollo informa que Paulo, Antonio e Carlos Henrique Buscariollo foram apresentados nesta quarta-feira (19) em audiência de custódia, após o cumprimento dos mandados de prisão expedidos pela Justiça do Estado do Paraná.

Durante a audiência, a defesa apresentou seus requerimentos e, especialmente em relação a Carlos Henrique Buscariollo, chamou a atenção para a existência de elementos objetivos relacionados à sua localização no Estado de São Paulo no período dos fatos investigados.

O magistrado responsável pela audiência esclareceu, contudo, que não lhe competia rever ou revogar a decisão de prisão proferida por outro Juízo, cabendo-lhe, naquele ato, analisar essencialmente a regularidade e as condições em que as prisões foram cumpridas.

Diante disso, a defesa está apresentando os pedidos pertinentes diretamente ao Juízo de Icaraíma/PR, responsável pela decretação das prisões, inclusive pedido de revogação da prisão de Carlos Henrique.

É importante esclarecer que a tese defensiva relacionada à localização de Carlos Henrique não surgiu após sua prisão. Ainda em 2025, a defesa já havia buscado judicialmente a preservação de provas destinadas a esclarecer onde ele se encontrava no período investigado."

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COBRANÇA DE DÍVIDA ICARAÍMA PARANÁ

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