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Mercado de agtechs tem redução em investimentos e maior seletividade

calendar_month 04/05/2026
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Mercado de agtechs tem redução em investimentos e maior seletividade

O mercado de agtechs (statups ligadas ao agronegócio) no Brasil entrou em uma nova fase em 2025, marcada por maior seletividade nos investimentos e foco crescente em soluções com aplicação prática e geração de valor no campo, segundo levantamento do Itaú BBA. A pesquisa aponta que os aportes têm se concentrado em tecnologias voltadas à eficiência operacional ao longo de toda a cadeia do agronegócio, seja antes, dentro e depois da porteira.

Nesse contexto, os investimentos em agtechs somaram cerca de R$ 562 milhões em 2025, distribuídos em 26 rodadas, refletindo um ambiente macroeconômico mais desafiador e uma postura mais criteriosa por parte dos investidores. Na comparação com 2024, houve redução no volume investido e no número de operações — com queda de aproximadamente 50% no volume e 48% nas rodadas — movimento alinhado a uma tendência mais ampla do mercado de startups, marcada por maior aversão a risco e priorização de modelos de negócio mais eficientes e orientados à geração de valor.

Ao longo do ano, o Itaú BBA observou uma evolução no perfil dos investimentos, com maior concentração em soluções voltadas à automação, ao uso de dados e a plataformas digitais, reforçando a busca por eficiência operacional e maior previsibilidade nas atividades agrícolas. Também se destaca uma atuação mais relevante de fundos de venture capital, indicando maior sofisticação na alocação de recursos.

De acordo com o levantamento, o período indica uma mudança de fase no ecossistema, com direcionamento de recursos para teses mais maduras e tecnologias com aplicação prática no campo.

Mesmo em um ambiente mais seletivo, o mercado manteve operações relevantes e avanços tecnológicos importantes, reforçando a resiliência e o potencial de longo prazo das agtechs no Brasil.

Esse movimento também se reflete em eventos do setor, onde cresce a presença de soluções voltadas à eficiência operacional e ao uso de dados no campo.

“O que vemos é uma mudança de fase, com investidores mais criteriosos e foco em empresas com maior capacidade de gerar valor. O agro segue como um dos principais vetores de inovação no país, com demanda crescente por tecnologia e eficiência”, afirma Matheus Borella, líder em Estratégia e Inovação no Agronegócio no Itaú BBA.

A análise por segmento mostra que, em número de rodadas, a maior parte dos investimentos em agtechs têm se concentrado no elo Antes da Porteira, que engloba produtos, serviços e atividades necessárias ao produtor antes do início da safra. Nesse segmento, houve maior direcionamento para startups que empregam nano e biotecnologia no desenvolvimento de insumos, refletindo a busca por soluções capazes de ampliar o retorno produtivo com menor consumo de recursos, movimento já observado em 2024.

No segmento Dentro da Porteira, relacionado à produção e à gestão durante a safra, foi observado um volume relevante de investimentos em telemetria e automação, associado ao avanço da agricultura de precisão e à necessidade de decisões mais preditivas no campo. O uso de sensores e geolocalização tem permitido a geração de dados em tempo real e o aprimoramento da tomada de decisão pelos produtores.

Já o segmento Depois da Porteira, que envolve comercialização e distribuição da produção, concentrou investimentos em plataformas de negociação e beneficiamento. Com o avanço da disponibilidade de dados padronizados e auditáveis, essas plataformas passam a operar com maior acurácia na precificação, melhor previsibilidade de entrega e menor assimetria de informação, fatores que vêm atraindo maior interesse de investidores.

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