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'Não era para esse voo ter sido autorizado', diz mãe de vítima do Paraná após ler transcrição da cabine de avião da Voepass pela 1ª vez

calendar_month 01/07/2026
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'Não era para esse voo ter sido autorizado', diz mãe de vítima do Paraná após ler transcrição da cabine de avião da Voepass pela 1ª vez

Crédito da imagem: (Foto: FAB)

Adriana Ibba, mãe da vítima mais nova do voo 2283 da Voepass afirmou que "não era para esse voo ter sido autorizado" após ter acesso, pela primeira vez, à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave e ao laudo da Polícia Federal sobre o acidente que matou 62 pessoas, em agosto de 2024.

A tragédia aérea ocorreu em agosto de 2024, após o voo sair de Cascavel, desde então, parentes aguardam respostas sobre as causas e responsáveis pela queda.

Adriana era mãe de Liz Ibba dos Santos, de três anos. A criança embarcou com o pai, Rafael Fernando dos Santos, que também morreu. Eles iriam para Florianópolis passar o Dia dos Pais.

“Se passaram quase dois anos e não tem um dia que eu não pense sobre isso. A impressão que tenho é que esse avião cai todos os dias [...] A expectativa agora é que haja os indiciamentos dos responsáveis diretos e indiretos que autorizaram esse voo, porque não era para esse voo ter sido autorizado”, disse Adriana.

A reunião com representantes das famílias ocorreu nesta terça-feira (30), em Campinas (SP), e marcou a reta final da investigação, que deve ser concluída nos próximos 30 dias.

Uma das expectativas dos familiares era verificar se os pilotos comentaram ou acionaram o sistema de degelo da aeronave. A suspeita de falha ou de problemas relacionados a ele é uma das linhas investigadas desde o início.

Segundo os advogados que acompanham o caso como assistentes de acusação, o áudio da cabine integra o material pericial. Os familiares optaram por ler apenas a transcrição das conversas, sem ouvir as gravações.

Além das conversas da cabine, os representantes da associação conheceram detalhes do laudo elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), documento que embasa a fase final do inquérito conduzido pela PF.

Investigação na reta final
Após a reunião, os advogados afirmaram que a expectativa é de que a PF conclua o inquérito nos próximos 30 dias e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal (MPF).

Segundo Luciano Katarinhuk, o relatório reúne elementos que podem resultar em indiciamentos.

"O que a gente pode dizer e antecipar para a imprensa é que os trabalhos que há dois anos vêm sendo desenvolvidos agora chegaram na reta final e serão concluídos nos próximos 30 dias com novidades, com indiciamentos", afirmou.
De acordo com o advogado, algumas pessoas ouvidas até agora apenas como declarantes poderão passar à condição de investigadas.

Relembre o caso
O ATR 72-500 da Voepass caiu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP), durante um voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo morreram.

Além da investigação criminal conduzida pela PF, o acidente também é apurado pelo Cenipa, responsável pela investigação técnica das causas da queda. As duas apurações são independentes.

Até o momento, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não divulgaram oficialmente nomes de investigados nem anteciparam eventuais indiciamentos.

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