A indústria brasileira produtora de Concentrado Proteico de Soja e Derivados obteve certificação da primeira planta de etanol de soja em escala industrial do mundo. Iniciado em 2018, o projeto combinou inovação tecnológica e eficiência produtiva e o etanol de soja surgiu para agregar valor ao melaço da leguminosa, produto de baixa rentabilidade e demanda sazonal. Conforme dirigentes da empresa, o projeto nasceu com visão estratégica de sustentabilidade, buscando fechar a cadeia produtiva e reduzir a pegada de carbono, já que o etanol é insumo essencial para o principal produto da indústria. A fermentação iniciou o estudo do etanol de soja e para viabilizar a produção, a empresa buscou parceiro para conduzir os testes. Os estudos identificaram leveduras capazes de converter rafinose e estaquiose em etanol. Com o balanço de massa definido, a empresa estima capacidade de produzir até 10 milhões de litros de etanol por ano.
Desse total, cerca de três milhões de litros serão consumidos internamente na produção de Concentrado Proteico de Soja, enquanto cerca de sete milhões têm potencial de comercialização nas regiões próximas. As obras da indústria começaram em 2020, a planta foi instalada em 10 meses e passou por três meses de avaliação para aprovação pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A produção teve início em março de 2021 e os resultados do seu consumo indicaram produto mais limpo, validando o desempenho ambiental do etanol de soja, com emissões de 46,28 CO₂/MJ, 47,05% menores que as da gasolina. Com isso, a empresa estima reduzir entre sete mil e oito mil toneladas de CO₂ equivalente por ano, com potencial de gerar o mesmo volume de CBios.
Para dirigentes da empresa, o projeto representa marco estratégico. Sendo a primeira planta de etanol de soja em escala industrial do mundo, reforçou o compromisso com inovação responsável e consolidou o grupo como referência global em soluções industriais alinhadas aos princípios ambientais, sociais e de governança. Para o Brasil, como grande produtor de soja e consumidor de combustíveis fósseis, a inovação é ainda mais importante e positiva, na medida em reduz a demanda de derivados de petróleo e valoriza ainda mais a produção agropecuária nacional.
O Paraná e o Oeste do Estado poderão também se beneficiar com a novidade, reduzindo as despesas com combustíveis fósseis e gerando nova fonte de rendimentos para os produtores de soja, cooperativas agropecuárias e indústrias da leguminosa. A cultura da soja, como sabemos, está entre as principais culturas da agricultura paranaense, com enormes áreas plantadas e uma das maiores produções anuais de grãos do País, transformadas em derivados para o abastecimento do mercado estadual e exportações para mais de uma centena de países. Dessa forma, os produtores que tem tradição, experiência, conhecimento e benefício com a cultura da soja, cultivada no Sul do País desde o século passado, quando foi plantada pela primeira vez no município de Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. A partir de então, a cultura se espalhou pelo Estado e pelo País, fazendo do agronegócio brasileiro um dos maiores, mais produtivos e avançados do mundo, beneficiando o desenvolvimento econômico, social e ambiental do País. Toledo, Capital Nacional da Proteína Animal e Capital Estadual do Agronegócio é um bom exemplo disso.
*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br
O etanol de soja já é produzido no Brasil em escala industrial - Dilceu Sperafico
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03/07/2026
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Fonte: Dilceu Sperafico
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