O mercado físico do boi gordo apresentou contundente queda dos preços no decorrer desta quinta-feira (23/4). Muitos frigoríficos passaram a sinalizar para um posicionamento mais confortável das escalas de abate, testando níveis mais baixos de cotações nas principais praças pecuárias brasileiras.
Após um mês de preços firmes e em alta, a cotação caiu pela primeira vez nas praças de Araçatuba (SP) e Barretos (SP), referências para o mercado, informa a Scot Consultoria. O preço do boi gordo diminuiu em R$ 2, para R$ 363 a arroba no pagamento a prazo. A cotação do “boi China” também recuou R$ 2, para R$ 368 a arroba.
Além das duas praças paulistas, foram registradas quedas de cotações em outras 11 regiões pecuárias na comparação diária, como em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Os preços ficaram estáveis em 20 praças, segundo a Scot.
De acordo com a consultoria, a oferta de boiadas aumentou, reflexo de uma ponta vendedora mais atenta, precavida e aproveitando os bons preços vigentes.
Com o avanço do outono, a preocupação com o preenchimento da cota de exportação para a China em meados de maio, a queda dos contratos futuros e as cotações elevadas da arroba estimularam as vendas, elevando a oferta.“Não se tratou de uma oferta abundante, mas de um aumento frente a um quadro anterior de escassez de matéria-prima.
Ainda assim, a oferta permaneceu limitada”, afirma a Scot.
De acordo com Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado, a sazonalidade é fator importante nesta estratégia, considerando a maior saída de animais durante o segundo trimestre, período em que tipicamente as pastagens perdem qualidade e o pecuarista perde capacidade de retenção, desta forma aumentando a necessidade de negociação. A progressão da cota chinesa é outro elemento importante a ser considerado, afirma o analista, com a perspectiva de esgotamento entre os meses de junho e julho.
Do lado comprador, o pós-feriado trouxe maior tranquilidade, diz a Scot, com negociações mais compassadas. Parte dos frigoríficos ficou fora das compras até quarta-feira, aguardando melhor definição do mercado, enquanto os mais ativos já tentavam negócios abaixo das referências, amparados por escalas mais confortáveis em relação às últimas semanas e um escoamento de carne no mercado doméstico apenas regular, em um período otimista de venda.
A Scot destaca que o recuo nas cotações não definiu uma tendência. No entanto, com escalas mais alongadas e o período de fim de mês - quando as vendas de carne no mercado doméstico costumam ser mais fracas -, a ponta compradora manteve firme suas ofertas, condicionadas à aceitação dos vendedores. “A oferta de matéria-prima seguiu limitada, o que restringiu a pressão baixista”, aponta a consultoria.
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No atacado, preços aumentaram
O mercado atacadista apresentou contundente alta dos preços no decorrer desta quinta-feira, afirmou a consultoria Safras & Mercado. “O ambiente de negócios ainda sugere menor espaço para reajustes no decorrer do restante do mês, considerando o menor apelo ao consumo durante a segunda quinzena. Além disso, os preços da carne bovina ainda perdem competitividade na comparação com as proteínas concorrentes, em especial na comparação com os preços da carne de frango”, comenta Fernando Iglesias, analista da consultoria.
Segundo a Safras, no atacado de São Paulo, o quarto dianteiro apresentou alta de R$ 0,50, e foi precificado a R$ 23,50 por quilo. Já o quarto traseiro foi cotado a R$ 28,50, por quilo, aumento de R$ 0,50. A ponta de agulha atingiu o patamar de R$ 21,50, por quilo, elevação de R$ 0,50.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) destaca que a diferença entre os preços da carne e do boi gordo segue elevada. Considerando-se as médias da parcial de abril (até o dia 22), o boi gordo no mercado paulista está em R$ 364,44 (segundo o indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq), enquanto a a carcaça casada bovina no atacado da Grande São Paulo, em R$ 25,08 por quilo, correspondendo a um boi equivalente de R$ 376,20.
Diante disso, a diferença atual entre os valores da carne e do animal está em R$ 11,76 por arroba, com vantagem para a carcaça.
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