As cotações do trigo e seus derivados no Brasil apresentam diferenças entre os segmentos, destaca o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O farelo registra desvalorização devido à alta oferta e à concorrência com substitutos na alimentação animal. Em contrapartida, os valores do trigo em grão continuam sustentados pela oferta restrita, elevando também o custo das farinhas, por conta do repasse da matéria-prima.
No mercado de farelo de trigo, o movimento de desvalorização é mais intenso para o produto a granel. Em algumas regiões acompanhadas pelo Cepea, como Ijuí (RS), Passo Fundo (RS) e o oeste do Paraná, as médias de preço são as menores desde agosto de 2024.
Houve aumento na oferta de farelo no mercado físico, ao mesmo tempo em que há maior competitividade de produtos substitutos, como farelo e casquinha de soja, além do milho. Diante disso, vendedores reduzem preços para preservar a competitividade. Ao mesmo tempo, compradores postergam as aquisições, à espera de novas desvalorizações.
No mercado de trigo em grão, por outro lado, os preços seguem firmes. Segundo pesquisadores do Cepea, a sustentação vem da oferta restrita neste período de entressafra, da menor disposição dos vendedores para negociar os volumes remanescentes e da necessidade de reposição por parte das moageiras.
Nesta segunda-feira (27/4), o indicador Cepea/Esalq registrou, no Paraná, a cotação de R$ 1.338,20 a tonelada para o trigo pão ou melhorador, uma alta de 4,15% desde o início do mês. No Rio Grande do Sul, o trigo brando estava cotado a R$ 1.269,96 a tonelada, um aumento de 10,17% no acumulado do mês.
De acordo com o Cepea, as farinhas de trigo também seguem em valorização, impulsionadas pelo repasse do custo do grão ao produto industrializado. Além disso, preocupações com as tensões geopolíticas reforçam a firmeza exigida pelos vendedores.