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Setor da tilápia cobra ação do governo após disparada nas importações do Vietnã

calendar_month 25/09/2026
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Setor da tilápia cobra ação do governo após disparada nas importações do Vietnã

Crédito da imagem: Foto: Jaelson Lucas/Arquivo AEN

As entidades representativas da cadeia brasileira da tilápia cobram medidas concretas do governo federal diante do forte crescimento das importações de filé de tilápia congelado do Vietnã. A manifestação ocorreu após reunião realizada nesta quinta-feira (24) com o Ministério da Agricultura, que, segundo o setor, terminou sem definição de medidas ou prazo para uma resposta à expansão das compras externas.

De acordo com dados apresentados pelo próprio Ministério da Agricultura, o Brasil importou 374 toneladas de filé de tilápia congelado durante todo o ano de 2025. Já entre janeiro e agosto de 2026, o volume chegou a 10.245,95 toneladas, movimentando US$ 42,15 milhões. Segundo as entidades, o Vietnã respondeu pela totalidade do valor importado neste ano.

No mesmo período, as importações de filé, em peso, superaram mais de duas vezes as exportações brasileiras de tilápia, que somaram 4.627,33 toneladas. As entidades ressaltam que os produtos exportados e importados possuem diferentes formas de apresentação, mas avaliam que os números demonstram a velocidade da mudança no mercado.

A tilápia é atualmente a principal espécie da piscicultura brasileira e movimenta uma cadeia que envolve produção de alevinos, fabricação de ração, criação, transporte, frigoríficos, distribuição e comércio.

Segundo as entidades, o avanço do produto importado tem aumentado a pressão sobre produtores e indústrias brasileiras, especialmente diante dos preços praticados no mercado interno. O setor relata dificuldades na comercialização de peixe vivo, na programação de novos povoamentos e na definição de novos investimentos.

Setor pede investigação e plano de trabalho

Uma nota técnica conjunta do Ministério da Pesca reconheceu o crescimento acelerado das importações e recomendou o aprofundamento da avaliação sobre uma possível investigação antidumping. O documento também aponta que uma eventual adoção de medidas de salvaguarda depende da comprovação dos requisitos previstos na legislação.

As entidades afirmam que não pedem a dispensa dos procedimentos legais, mas defendem que a análise seja conduzida com prioridade, coordenação e prazo definido.

O setor também cobra que o Ministério da Pesca assuma a liderança da discussão, em articulação com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Departamento de Defesa Comercial e os demais órgãos envolvidos.

Entre as medidas solicitadas estão a apresentação de um plano de trabalho com responsáveis e cronograma para levantamento de dados sobre preços, custos, vendas, produção, empregos e participação de mercado. As entidades também defendem o acompanhamento público dos volumes importados e a análise das propostas já apresentadas pelo setor para buscar condições consideradas equilibradas de concorrência.

Para as associações, a reunião com o governo representou um primeiro passo, mas a preocupação agora é com a velocidade da resposta diante do avanço das importações.

“As entidades esperam do Ministério da Pesca uma posição ativa na defesa da produção nacional, das empresas e dos empregos ligados à atividade”, afirma a nota conjunta.

Assinam o documento:
Acaq – Associação Catarinense de Aquicultura
Peixe SP – Associação Paulista de Aquicultura
Abipesca – Associação Brasileira de Aquicultura
Peixe MG – Associação Mineira de Aquicultura
ACEAQ – Associação Cearense de Aquicultura
AQUAMAT – Associação de Aquicultores do Mato Grosso
Sindicato Rural de Palotina/PR
Peixe Paraná – Associação Paranaense de Aquicultura

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ABIPESCA BRASÍLIA MINISTÉRIO DA PESCA TILÁPIA VIETNÃ

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