O Sistema FAEP emitiu um comunicado, na manhã de quinta-feira (16), em que alerta para os riscos da proposta da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em reajustar a tarifa elétrica no Paraná em 19,2%. A entidade do agronegócio paranaense classificou a medida como “abusivo”.
Segundo o comunicado, a Revisão Tarifária Periódica (RTP) da Copel em 2026 apontou o valor de 19,2% como base, muito acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2025, fechado em 4,26%.
“O Sistema FAEP é frontalmente contra esse ajuste. Embora a distribuidora tenha realizado investimentos, isso não impactou positivamente os produtores rurais. Ao contrário. Os relatos dos produtores são de perdas nas produções de frango, peixe e leite e queima de equipamentos por conta da falta de energia elétrica e apagões constantes”, analisou o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
Essa revisão tarifária leva em conta os investimentos, custos de transmissão e encargos setoriais realizados pela distribuidora em um período de cinco anos.
Vale lembrar que esse valor ainda precisa ser aprovado pela Aneel, responsável pela regularização da distribuição da energia elétrica no Brasil.
Dados da Copel apontam que 5,3 milhões de unidades consumidoras serão impactadas no Paraná, sendo 311 mil no meio rural, caso a medida seja aprovada pela Aneel.
“O serviço ofertado pela Copel no meio rural deixa a desejar, impactando severamente na produção dentro da porteira. Pedimos que não ocorra o reajuste da tarifa, mas a redução ou o ressarcimento pelos danos e prejuízos que os nossos produtores rurais paranaenses estão acumulando”, prosseguiu Meneguette.
Uma pesquisa encomendada pelo Sistema FAEP, em 2024, mostrou que 85% dos produtores rurais paranaenses não estão satisfeitos com o fornecimento de energia elétrica.
Os principais motivos para a avaliação negativa foram: falta constante de energia (44%); a demora na resolução dos problemas (14%); e oscilação na rede (12,3%).
“O produtor rural segue surpreendido pela Copel com péssima qualidade de serviço, com quedas constantes de energia, oscilação de tensão elétrica, queima de equipamentos, perda de produção. O reajuste nesse patamar é o pior dos piores cenários”, finaliza o presidente do Sistema FAEP.
Copel diz que reajuste integral na tarifa elétrica no Paraná representaria 26% de aumento
Procurada pela reportagem, a Copel disse que o reajuste será definido pela Aneel e que o índice de 19,2% ainda está sujeito à homologação pela própria agência de energia.
“Com o objetivo de reduzir o impacto aos consumidores, que era inicialmente estimado em torno de 26% pela Aneel, a Copel solicitou a aplicação do diferimento máximo permitido, conforme as regras da própria agência reguladora”, pontuou a Copel em nota.
A Copel ainda afirmou que o “cliente paranaense paga a tarifa mais baixa do setor elétrico brasileiro. Mesmo com o reajuste, cujo percentual ainda será definido pela Aneel, a tarifa no Paraná permanecerá entre as três mais baixas do Brasil, em torno de R$ 0,76 para o consumidor residencial”.
“Na prática, de cada R$ 10 pagos pelo consumidor na conta de luz, cerca de R$ 2 correspondem a essa parcela que efetivamente remunera a Copel. É com esse percentual que a companhia realiza investimentos permanentes na operação, na manutenção e na expansão das redes de energia no Paraná”, complementa a Copel.
Por fim, a Copel pontua que os subsídios definidos pelo Governo Federal também impactam os usuários da energia elétrica no Paraná, em especial, os destinados ao custeio da geração de energia solar.
A companhia pontua que entre dezembro de 2020 e dezembro de 2025, o número de clientes beneficiários de energia solar multiplicou-se por quase dez no Paraná, chegando a 528.493 usuários – o que representa 10% da base total.
“A Copel reforça que trabalha junto à Aneel, dentro das regras federais permitidas, para reduzir impactos tarifários, e reafirma seu compromisso com a transparência, a prestação de um serviço público essencial eficiente e a segurança energética para os consumidores paranaenses”, finaliza a companhia.
Sobre as questões apontadas pelo Sistema FAEP relativas aos problemas enfrentados pelos produtores paranaenses a Copel também se pronunciou por meio de nota. Confira abaixo o comunicado:
A Copel informa que o Programa Copel Agro está ativo desde 6 de abril, com atendimento exclusivo e dedicado aos produtores rurais, prioritariamente da cadeia de proteína, com a atividade registrada no Cadastro do Produtor Rural (CAD/PRO) do Estado do Paraná. O novo programa é dirigido a cerca de 73 mil de clientes com este perfil de consumo atendidos pela Copel.
Pela linha direta 0800 643 76 76, exclusiva do Copel Agro, os produtores rurais são atendidos por teleatendentes que atuam 24 por dia, sete dias por semana, para o encaminhamento de demandas relacionadas à energia elétrica.
Ao acionar o Copel Agro, o produtor rural tem a sua solicitação acompanhada de ponta a ponta, desde a recepção, passando pelo direcionamento à área responsável, o encaminhamento da solução até a devolutiva ao cliente com a previsão do retorno da energia.
Todos os pedidos recebidos são atendidos, com o encaminhamento da solução das demandas e cadastrados pela companhia. As informações são cadastradas e integram um banco de dados em construção com o perfil dos clientes, tipos de demanda, entre outros insumos para a orientação e consolidação do programa“.