A utilização da técnica de estiolamento tem permitido aumentar a produção de mudas demandiocana Terra Indígena Yanomami, como parte de ações voltadas à segurança alimentar das comunidades. Desenvolvida pelaEmbrapaem parceria com o Instituto Biofábrica da Bahia, a metodologia de Estiolamento para Produção de Mudas e Miniestacas de Mandioca (EPMM) vem sendo transferida para indígenas nos estados do Amazonas e de Roraima.
O método consiste em estimular o crescimento alongado das plantas para, posteriormente, realizar podas que transformam uma única muda em várias novas unidades. Com isso, é possível multiplicar rapidamente materiais com sanidade e identidade genética garantidas, viabilizando a produção em larga escala ao longo do ano.
Segundo o engenheiro-agrônomo da Embrapa, Herminio Rocha, a técnica amplia significativamente a capacidade produtiva. “Esse método quadruplica o volume do lote original de mudas. Ou seja, no caso de um lote de 100 mudas, o viveirista passa a contar, automaticamente, com mais 300 mudas e 100 miniestacas do mesmo lote”, afirma.
Rocha destaca ainda que a tecnologia atende a uma demanda específica das comunidades indígenas. “O método EPMM não é estanque. Está em constante movimento de multiplicação e produção, o que garante mudas para uma grande quantidade de pessoas”, diz.
A iniciativa integra o plano do governo federal para promover segurança alimentar e nutricional na Terra Indígena Yanomami, com foco em culturas tradicionais como mandioca, banana e abacaxi. As ações incluem implantação de viveiros, capacitação de agentes locais e instalação de unidades demonstrativas para difusão das tecnologias.
De acordo com o diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Marenilson Batista da Silva, o trabalho considera as especificidades das comunidades. “A partir de um processo de escuta, considerando cada realidade, a Embrapa está avançando na identificação e transferência de tecnologias de produção de mudas, respeitando a forma de plantar, de viver e de colher dos indígenas”, afirma.
Com a adoção da técnica de estiolamento, a expectativa é ampliar a oferta de mudas de qualidade e fortalecer a produção de alimentos nas comunidades Yanomami. As atividades são realizadas em conjunto com parceiros locais estratégicos: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR), Universidade Federal de Roraima (UFRR) e Centro Indígena de Formação Raposa Serra do Sol.
Dentre as metas, está a implantação de Unidades de Referência Tecnológica (URTs) para a capacitação de extensionistas, envolvendo desde o preparo de materiais propagativos até práticas de plantio e aclimatização das mudas de mandioca, banana e abacaxi.
Até o momento, foram instaladas URTs nos campi do Ifam e IFRR, nos municípios de São Gabriel da Cachoeira e Amajari, respectivamente.
Outras duas URTs estão previstas para serem instaladas em Roraima, uma no Instituto Insikiran e outra no Centro Indígena de Formação Raposa Serra do Sol.
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