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Vítima do PR que denunciou mulher presa por se passar por criança em SC tatuou nome falso usado pela suspeita

calendar_month 09/06/2026
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Vítima do PR que denunciou mulher presa por se passar por criança em SC tatuou nome falso usado pela suspeita

Uma mulher, moradora do Paraná, diz que também foi vítima de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, presa em Santa Catarina por se passar por uma adolescente de 12.

A mulher, que não quis ser identificada, chegou a tatuar o nome falso usado pela suspeita após criar um forte vínculo afetivo com a suposta adolescente. A tatuagem foi removida depois que o golpe foi descoberto.

Segundo ela, as duas se conheceram em 2021, por meio de um grupo de oração online, e Amanda teria se apresentado como "Emily", de 13 anos.

"Nós tínhamos um grupo de oração na época do Covid e nós nos reuníamos online. Então ela surgiu, dizendo que era uma criança de 13 anos, que estava em fase terminal, e ela queria que nós orássemos para que ela morresse, porque a mãe dela vivia no hospital por conta dela, e ela queria morrer para que a mãe pudesse descansar. Nós ficamos atônitos: como é que uma criança de 13 anos pede para morrer? Então a gente se envolveu nessa história", diz a vítima.

Amanda teria passado cerca de dez meses relatando histórias de doença, abandono, violência e perdas familiares, conforme os integrantes do grupo de oração.

"Primeiro ela pede para eu ser madrinha, porque, como ela estava morrendo, ela queria entrar no céu, e, para entrar no céu, ela tinha que ser batizada. Quando a mãe dela morre, ela fala: 'Já que a minha mãe morreu, eu posso te chamar de mãe?'", detalha a vítima.

As vítimas afirmam que só começaram a desconfiar quando ela passou a pedir dinheiro. Desconfiados, eles procuraram hospitais citados por ela e não encontraram registros de internação. A confirmação veio durante uma videochamada.

Uma integrante pediu para conversar com uma suposta tia da adolescente e percebeu que a mulher na tela era a mesma pessoa que se apresentava como "Emily". Pressionada, ela admitiu que não era uma criança doente, mas uma mulher adulta que havia inventado toda a história.

O caso foi registrado em um Boletim de Ocorrência em 2022 e um inquérito foi instaurado em dezembro do mesmo ano. Segundo a Polícia Civil, a equipe policial investigou a situação, mas não foi possível chegar à autoria do crime.

Depois que Amanda foi presa em Santa Catarina, as vítimas a reconheceram e a Polícia Civil do Paraná reabriu as investigações.

Com a prisão em Santa Catarina, as vítimas esperam que as investigações sejam retomadas e que a suspeita também responda pelos prejuízos emocionais e financeiros causados ao grupo.

"Comigo foi muito cruel, minha cunhada tinha acabado de falecer. O que eu perdi de vida, de emocional, de psicológico, ninguém vai restaurar. Ela chamava os meus filhos de irmão. Meus filhos chamavam ela de irmã e gravavam vídeos e áudios para ela todos os dias. Quando eu lembro que deixei de pegar a minha sobrinha no colo, – que foi a filha do meu irmão que deixou de ter mãe –, por causa dessa bandida. E se soltarem ela agora, ela vai fazer mais vítimas", desabafa.

O g1 procurou a defesa de Amanda Maria Souza de Oliveira, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

História com câncer, mortes e abuso
Segundo a advogada que representa as vítimas, após entrar em contato com o grupo de oração, Amanda passou a criar uma trama cada vez mais complexa para conquistar a confiança dos participantes.

Ela dizia que precisava de um transplante de medula óssea, relatou a morte da mãe após um acidente de carro e afirmou ter passado a viver com o pai e a avó.

Depois, contou que sofria agressões, que o pai teria cometido crimes contra ela e que ele acabou tirando a própria vida. Também alegou que o câncer havia se agravado, estava em metástase, e que precisou ser internada diversas vezes.

"Durante seu novo internamento, 'Emily' relatou ter sido estuprada no hospital e, ainda, que precisou amputar um de seus braços, em razão do agravamento da doença", detalha a notícia-crime que comunicou o caso às autoridades.

As histórias provocaram forte comoção e fizeram com que os integrantes se envolvessem cada vez mais emocionalmente com a suspeita. Ao longo dos meses, ela evitou encontros presenciais e sempre encontrava justificativas para não ser vista.

Casa de acolhimento relata ter recebido a suspeita
Depois da repercussão do caso, uma casa de acolhimento de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, relatou que recebeu Amanda por cerca de sete dias em 2020.

Na época, a instituição acolhia crianças e adolescentes. A RPC apurou que Amanda chegou ao local em novembro de 2020, levada pelo Conselho Tutelar, com o nome de "Julia".

No local, conforme pessoas que a receberam, ela disse ter nascido em Fortaleza e contou uma história trágica sobre a família.

"Ela entrou, sentou, com uma voz de menininha, bem infantilizada, e ali passou", relatou uma testemunha.

Dias depois, a suposta adolescente foi encaminhada para atendimento médico.

Mulher conviveu com família de SC por 14 meses
O caso ganhou repercussão após a prisão de Amanda, na terça-feira (2), em Joinville.

Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, ela viveu por 14 meses na casa de uma família após alegar ter fugido de maus-tratos no Pará. A ata da audiência de custódia mostra que a investigada se aproximou da família por intermédio de um pastor da igreja. Inicialmente, declarou ter 18 anos, experiência em panificação e que buscava emprego.

Com o passar do tempo, no entanto, passou a relatar problemas de saúde e dificuldades financeiras, o que motivou o casal a acolhê-la temporariamente em casa. Após conquistar a confiança da família, a mulher teria alterado sua versão, afirmando ter apenas 11 anos e alegando ter sido vítima de abusos.

O casal, então, se sensibilizou e permitiu que ela passasse a morar com eles. Acreditando na condição de vulnerabilidade infantil apresentada por ela, o pai e a mãe chegaram a organizar uma festa de 12 anos para a menina comemorar o suposto aniversário.

Em depoimento à Polícia Civil catarinense, nesta semana, Amanda Maria Souza de Oliveira confessou ter aplicado o mesmo golpe em outros cinco estados: Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará. Um caso em Natal (RS) também veio à tona nos últimos dias.

Em Santa Catarina, a polícia investiga outras duas ocorrências em Florianópolis e Chapecó.

O que dizem os advogados das vítimas
Em nota, o escritório de advocacia que representa as vítimas do grupo de orações afirmou:

"Na qualidade de representante das vítimas, esclareço que o escritório Caroline Rangel Advocacia Criminal apresentou, junto à Polícia Civil do Estado do Paraná, em 2022, a notícia-crime que deu origem ao inquérito policial em questão. Naquela oportunidade, a vítima Tatiane foi formalmente ouvida e prestou um depoimento marcado por forte carga emocional.

Em 2024, apesar do robusto conjunto probatório dando conta da existência de crime(s), foi sugerido pelo Delegado responsável o arquivamento da investigação, em que pese as diligências essenciais ainda não terem sido realizadas. Diante disso, este escritório se manifestou contrariamente à medida, apontando a existência de circunstâncias suspeitas que demandavam apuração complementar. O entendimento foi acolhido pela autoridade policial, que determinou a expedição de carta precatória ao Estado de Minas Gerais para o cumprimento de diligências investigativas.

Contudo, até o presente momento, a referida medida não foi efetivada, apesar das reiteradas solicitações formuladas tanto por este escritório quanto pelo Ministério Público. Seguimos acompanhando o caso de forma próxima e diligente, confiantes no trabalho das instituições e na adequada condução das investigações, especialmente diante dos novos desdobramentos que vieram à tona recentemente e que reforçam a necessidade do completo esclarecimento dos fatos e da responsabilização dos envolvidos."

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