Rádio Guaçu de Toledo

Bloqueio no Estreito de Ormuz pode disparar inflação dos alimentos

calendar_month 14/04/2026
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Bloqueio no Estreito de Ormuz pode disparar inflação dos alimentos

Os navios que transportam insumos agrícolas devem começar a atravessar o Estreito de Ormuz o mais rápido possível para evitar o risco de uma disparada na inflação dos preços dos alimentos ainda este ano, o que poderia desencadear uma série de efeitos semelhantes aos da crise da pandemia de covid-19. O alerta foi feito por representantes da a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

“O tempo está se esgotando, e os calendários de safras colocam os países mais pobres em maior risco de escassez e alto custo de fertilizantes e insumos energéticos”, afirmou o economista-chefe da FAO, Maximo Torero, em um podcast produzido pela entidade.

“A última coisa que queremos é uma menor produtividade agrícola e preços mais altos das commodities e da inflação de alimentos no próximo ano”, acrescentou Torero, observando que a continuidade do bloqueio do estreito forçaria os países a implementarem políticas para reduzir os preços internos dos alimentos. Isso acarretaria aumento das taxas de juros e, consequentemente, um potencial crescimento econômico mais lento em todo o mundo.

O último Índice de Preços de Alimentos da FAO, referente ao mês de março, mostrou-se relativamente estável graças à ampla oferta da maioria das commodities alimentares, especialmente cereais.

Porém a FAO alertou que a pressão sobre o índice está aumentando em abril e se intensificará em maio, à medida que os agricultores tomarem decisões sobre se devem ou não mudar as opções de plantio para se adaptarem à disponibilidade de fertilizantes, bem como se devem alocar mais terras e recursos para biocombustíveis para se beneficiarem dos preços mais altos do petróleo, mas restringindo a oferta global de alimentos.

"Estamos em uma crise de insumos; não queremos que se torne uma catástrofe", disse David Laborde, diretor da Divisão de Economia Agroalimentar da FAO, que também participou do podcast.

Medidas

Se o impasse no Estreito de Ormuz não for resolvido rapidamente, a FAO diz que medidas preventivas devem ser consideradas, como acesso a financiamento aos países que correm o risco de perder o acesso a fertilizantes, visto que o plantio já começou.

As linhas de crédito para a balança de pagamentos do Fundo Monetário Internacional e a Janela de Choque Alimentar , seguindo a Linha de Financiamento para Importação de Alimentos sugerida pela FAO em 2022, poderiam ser usadas como um mecanismo de financiamento de insumos, permitindo que os países que precisam de fertilizantes hoje os obtenham rapidamente, sem desencadear uma competição distorcida por subsídios, disse Torero.

A FAO já desenvolveu uma priorização dos países com base no calendário de cultivos, considerando quando e quanto fertilizante eles precisam. “Os riscos são muito claros. Se não acelerarmos o processo, os riscos se agravarão”, disse Torero.

Impactos

A FAO ressaltou que entre 20% a 45% das exportações de insumos usados na agricultura passam pelo Estreito de Ormuz.

Dentro desse contexto, a organização lembrou que se os agricultores produzirem com menos insumos, a oferta de produtos agrícolas pode cair ainda este ano e em 2027, com preços mais altos das commodities alimentares e inflação no varejo de alimentos provavelmente nos próximos anos.

“A maioria dos agricultores já enfrenta margens de lucro apertadas e, se falirem, a situação do abastecimento mundial de alimentos será pior por mais tempo”, lembrou a FAO

Ao contrário de desastres naturais ou fatores climáticos como o El Niño , o bloqueio do Estreito de Ormuz “é algo que os governos podem e devem resolver”, disse Torero.

Por fim, a FAO disse que os riscos atuais para a produção de alimentos são consideravelmente maiores do que em 2022, e as condições estão presentes para uma "tempestade perfeita" caso a situação atual seja também afetada por um El Niño forte , que rivalize ou supere a crise da pandemia.

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