Entre as grandes conquistas do agronegócio brasileiro estão a fundação, gestão e expansão de cooperativas pelos próprios agricultores, hoje consideradas gigantes globais da agropecuária. Em 1970, por exemplo, Campo Mourão, no Paraná, tinha apenas cinco tratores nas lavouras e era conhecida como "terra dos 3S: sapé, samambaia e saúva". Hoje, a Coamo Agroindustrial Cooperativa, fundada na época por 79 produtores rurais, tem 13,3 bilhões de reais de patrimônio e distribui 716 milhões de reais por ano aos cooperados. É a maior cooperativa agropecuária da América Latina e um dos maiores exemplos de como o cooperativismo brasileiro transformou pequenos agricultores em gigantes do agronegócio global. No Brasil, em 2026 as cooperativas agropecuárias somam 1.172 unidades, movimentam 438,2 bilhões de reais por ano, empregam 268 mil trabalhadores e controlam 53% da produção nacional de grãos e 80% da carne suína e de frangos e derivados, conforme a Organização das Cooperativas do Brasil (OCB).
Assim, as três maiores empresas do agronegócio brasileiro, são cooperativas. A Cooperativa Copersucar, de São Paulo, com 62,3 bilhões de reais em receitas anuais; a Coamo Agroindustrial Cooperativa, do Paraná, com 28,7 bilhões de reais de receitas anuais; e a Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Santa Catarina, com 24,9 bilhões de receitas anuais. Dados do último anuário da OCB evidenciam a força estrutural do cooperativismo brasileiro, com produtores rurais que ao se organizarem nas entidades, ganham escala na produção agropecuária, agregam valores aos seus produtos, acessam tecnologias avançadas e competem em mercados cada vez mais exigentes, como referências globais em segmentos como grãos, carnes e lácteos. Levantamento demonstrou que o cooperativismo do agronegócio brasileiro, responde por 25% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que em 2025 atingiu em 12,63 trilhões de reais.
Segundo Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as cooperativas impulsionam o agro e dominam 53% da produção de grãos, carnes, lácteos e fibras do País. No ranking da agropecuária, a Forbes Brasil mostra que as 100 maiores empresas e cooperativas do agronegócio nacional faturaram 1,886 trilhão de reais em 2024, com crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior. Os levantamentos reúnem cooperativas, grupos empresariais e companhias de capital aberto e fechado que sustentam as principais cadeias produtivas do País. As publicações anuais utilizam indicadores financeiros, como a receita líquida para dimensionar o peso estratégico do setor e destacar as cooperativas com maior faturamento no Brasil. A Copersucar, criada em 1959 por produtores de cana-de-açúcar, cresce com a produção de açúcar e etanol e aposta no biometano para expansão futura. Já a Coamo virou potência do agronegócio com 32,7 mil cooperados e 13,376 bilhões de reais em patrimônio em 2025. A cooperativa surgiu no fim do ciclo da madeira, quando a região não contava com tecnologias agrícolas. O cenário agrícola na época registrava algumas lavouras manuais de arroz, milho e algodão e enfrentava o problema de terras serem ácidas e impróprias para o plantio. Com acesso às novas tecnologias, os agricultores começaram a produzir mais e organizar as vendas. Tanto que em 2025 o recebimento de produtos agrícolas dos cooperados foi de 8,024 milhões de toneladas.
Cooperativas brasileiras se tornaram gigantes globais do agronegócio - Dilceu Sperafico
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30/04/2026
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Fonte: Assessoria
Crédito da imagem: DILCEU SPERAFICO.jpg
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