Rádio Guaçu de Toledo

Guerras no Oriente Médio atingem também o agronegócio norte-americano - Dilceu Sperafico

calendar_month 22/05/2026
schedule Leitura de 3 min
link Fonte: Assessoria
Guerras no Oriente Médio atingem também o agronegócio norte-americano - Dilceu Sperafico

Crédito da imagem: DILCEU SPERAFICO.jpg

Se o agronegócio brasileiro enfrenta muitos desafios com os conflitos armados no Oriente Médio, como endividamento, juros altos, elevação dos preços dos combustíveis e fertilizantes e dificuldades nas exportações, a situação da agropecuária dos Estados Unidos não é melhor. Mesmo se tratando da maior economia do mundo, conforme especialistas, nada menos do que 70% dos agricultores norte-americanos não têm recursos para cultivar suas lavouras nesta próxima safra. Conforme levantamento da American Farm Bureau Federation, nos últimos cinco anos as receitas em dinheiro provenientes das lavouras no país vêm caindo, o que se agravou neste ano. A guerra no Irã e seus impactos sobre o petróleo e energia seguem sem arrefecer seus efeitos em todo o mundo e o agro dos Estados Unidos não está fora dessa conta. No país, a gasolina atingiu 4,12 dólares por galão ou 5,40 reais por litro, ante 2,80 dólares por galão em janeiro. Esse é o preço mais alto desde o início dos conflitos dos Estados Unidos conforme a imprensa local.

Para agravar ainda mais a situação, os preços nacionais da gasolina, em todas as formulações são piores do que o que o valores citados. Excetuando-se os 5,00 dólares por galão registrados em 13 de junho de 2022, trata-se do valor mais alto desde agosto de 1990, segundo dados da Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA). Isso significa que a situação pode piorar ainda mais, não apenas se aproximando do pico de 2022, mas alcançando o que o custo somar quando se leva em conta o impacto acumulado pela inflação ao longo do tempo. Ajustado com isso e base no componente de energia do índice de preços ao consumidor, o preço atual ainda fica abaixo dos picos registrados em 2008 e no ciclo 2011-2014, quando o custo real por galão foi ainda mais elevado. Mas isso já pesa muito no bolso dos norte-americanos.

O que tende a pesar ainda mais é o futuro imediato dos preços dos alimentos, porque, assim como a gasolina, dependem do custo do petróleo.

Os fertilizantes nitrogenados modernos também têm forte ligação com o petróleo. Quando o preço do petróleo sobe, os fertilizantes encarecem e, consequentemente o preço dos alimentos também. Existem formas orgânicas de fertilizantes, mas a maioria dos insumos utilizados em larga escala nos Estados Unidos é a vinculada ao petróleo. O conflito no Oriente Médio exerceu forte pressão sobre o preço e a disponibilidade do petróleo. Diante de toda a incerteza nos processos de pacificação da região, tanto o petróleo Brent quanto o WTI voltaram a subir. Em 28 de abril, os contratos futuros de maio do Brent estavam em 112,20 dólares por barril ou 556,30 reais, na cotação atual de 4,96 reais por dólar, e o WTI, em 100,40 dólares ou 500 reais. Os preços para entrega imediata podem ser ainda mais elevados. Os resultados de tudo isso estão causando estragos no agronegócio e nas contas dos agricultores norte-americanos. Pesquisa constatou que 70% dos produtores não tinham recursos para adquirir os fertilizantes e outros insumos de que precisavam naquele momento. As taxas de pré-contratação de fertilizantes variavam muito por região, com apenas 19% dos produtores do Sul relatando compras asseguradas antes do início da safra, em comparação com 30% no Nordeste, 31% no Oeste e 67% no Meio-Oeste do país. Os preços do diesel agrícola que abastece o maquinário do setor subiram 46% desde fevereiro.

*O autor é deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail: dilceu.joao@uol.com.br

Compartilhar:

Recomendadas

Ver todas