O senador Rogério Marinho (PL-RN) vai centrar sua candidatura à presidência do Senado na defesa da independência da Casa em relação ao governo e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
A estratégia é dar um caráter institucional à disputa com o atual presidente, Davi Alcolumbre (União-AP), sem fazer do impeachment de ministros da Corte a principal bandeira.
O PL anunciou a candidatura na tarde de quarta-feira (4)
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), antecipou o discurso que deve orientar a campanha.
“É o momento de o Senado retomar o seu protagonismo no Congresso Nacional e se colocar como um poder autônomo, não submisso a outros poderes”, afirmou.
Aliados de Marinho pretendem explorar supostas menções a Alcolumbre em inquéritos da PF (Polícia Federal) relacionados ao Banco Master, ao INSS e à Operação Carbono Oculto para questionar a autonomia do atual presidente diante do Supremo.
Portinho fez referência ao tema ao criticar a relação entre a presidência do Senado e o Judiciário.
“A gente não pode mais ter na Casa um presidente que tem um rabo preso, porque isso atrapalha a independência e mexe com a harmonia, porque cria uma subserviência entre um poder e outro. No caso eu me refiro ao poder judiciário, especialmente ao STF”, declarou.
O eixo da candidatura será a defesa das prerrogativas do Senado para evitar o que o grupo de Marinho aponta como uma atuação coordenada entre governo e STF. Com essa abordagem, o senador pretende atrair apoio para além do PL.
A estimativa no entorno do candidato é de cerca de 39 votos, mas há receio de quatro traições. Em 2027, o PL terá 29 das 81 cadeiras do Senado e precisará de adesões de outras legendas.
Interlocutores de Marinho afirmam que ele mantém boa relação com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também tem interesse em disputar a presidência da Casa. A aposta é que os dois chegarão a um acordo para unificar a oposição a Alcolumbre.
O atual presidente, por sua vez, faz uma ofensiva para se reeleger e já recebeu o apoio formal da federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. O anúncio foi feito em nota assinada pelos dirigentes das duas legendas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, em 27 de outubro.
A orientação, porém, enfrenta resistência dentro do PP. O senador eleito Guilherme Derrite (SP) declarou que não votará em Alcolumbre, enquanto Tereza Cristina questionou a antecipação do apoio e ressaltou a autonomia dos parlamentares. A federação terá 11 senadores em 2027.
Na busca por votos à direita, Alcolumbre também tem discutido a possibilidade de anistia ou indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro.