O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou nesta terça-feira (3) que a maioria dos senadores ligados à bancada está mais próxima das candidaturas de Tereza Cristina (PP-MS) e Rogério Marinho (PL-RN) à presidência do Senado do que da de Davi Alcolumbre (União-AP), que busca permanecer no comando da Casa.
A declaração ocorre em meio às articulações para a eleição da Mesa Diretora, prevista para 1º de fevereiro de 2027, mesmo dia do início da nova legislatura. Segundo Lupion, a maior bancada do Congresso nacional -com 302 deputados e 47 senadores na legislatura atual- ainda não tomou uma decisão formal sobre o apoio a uma candidatura, mas acompanha as negociações conduzidas pela ministra da Agricultura do governo de Jair Bolsonaro (PL).
Tereza Cristina mantém a intenção de disputar a presidência do Senado como uma alternativa a Alcolumbre e Marinho. Conforme revelou a coluna de Túlio Amâncio, do SBT News, ambos chegaram a conversar sobre a possibilidade de unificar suas candidaturas, mas o encontro terminou sem acordo.
Apesar disso, Lupion afirmou acreditar que os dois parlamentares poderão chegar a um entendimento antes da eleição, evitando uma divisão dos votos entre integrantes da oposição.
"Eu não vejo o enfrentamento da senadora Tereza Cristina com o senador Rogério Marinho. Eu vejo uma composição de ambos, a possibilidade de ser um ou outro", declarou.
O presidente da FPA também afirmou que a definição não precisa ocorrer imediatamente, apesar de a votação ser no primeiro dia da nova legislatura.
Impasse na federação
A candidatura de Tereza Cristina enfrenta um obstáculo dentro de sua própria federação partidária. O Progressistas, legenda da senadora, integra a União Progressista, formada em conjunto com o União Brasil, partido de Alcolumbre.
A federação já anunciou apoio à candidatura do atual presidente do Senado, o que cria uma divergência interna caso Tereza decida permanecer na disputa.
Outro ponto de diferença entre os pré-candidatos é a relação com o Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com aliados, Tereza Cristina não se coloca contra a possibilidade de abertura de processos de impeachment de ministros da Corte, mas avalia que essa não deve ser a pauta prioritária da Casa. A senadora defende uma atuação mais ampla da presidência do Senado, sem concentrar os trabalhos legislativos no enfrentamento com o Judiciário.
Já Marinho, ex-ministro do Desenvolvimento Regional, pretende fazer da discussão sobre o impeachment de ministros do STF a principal bandeira de sua candidatura. Segundo aliados, o senador considera que o tema deve ocupar o primeiro lugar na agenda da próxima presidência da Casa.