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Mortes de cobradores de dívida no Paraná completam um ano sem prisões e sem solução

calendar_month 05/08/2026
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Mortes de cobradores de dívida no Paraná completam um ano sem prisões e sem solução

Há um ano, no dia 5 de agosto de 2025, Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza eram vistos pela última vez com vida. Até hoje, os culpados pela morte deles não foram presos.

Os quatro homens morreram após cobrarem uma dívida gerada a partir da venda de uma propriedade rural. Os corpos estavam enterrados em uma vala, em Icaraíma, no noroeste do Paraná.

Os principais suspeitos são pai e filho: Antônio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo. Eles foram incluídos na lista da Difusão Vermelha da Interpol e possuem mandados de prisão temporária em aberto por homicídio.

No início, o caso foi tratado como desaparecimento. A partir do momento em que a investigação identificou que se tratava de um crime, a apuração entrou em sigilo absoluto por parte das autoridades.

Em dezembro de 2025, a Polícia Civil (PC-PR) expôs uma série de detalhes sobre o caso. Foi nesta época que dois policiais civis foram alvo de mandados de busca e apreensão, por serem suspeitos de facilitar a fuga dos Buscariollo. O g1 questionou à assessoria da corporação sobre o resultado desta investigação, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.

Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, nesta terça-feira (4), o delegado Thiago Inácio disse que ainda não descarta a participação de outras pessoas na morte. A Polícia Científica e a Polícia Civil atualmente realizam análise dos dados colhidos pela investigação.

"O local onde foram enterrados o veículo das vítimas, bem como os corpos, é um local tido como rota do tráfico, do contrabando. Há indícios de que esse grupo tenha ligação com esses crimes também. Mas até o momento nada foi comprovado", disse Inácio.

O delegado afirma que o caso permanece em investigação. "Os familiares querem justiça e têm todo o direito de exigirem isso do Estado. O que eu tenho a falar é que eles podem ficar tranquilos, que a Polícia Civil está trabalhando com o intuito de identificar todos os envolvidos e responsabilizar todos por esse crime", assegura.

Como foi o desaparecimento e o que era a dívida
No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto, em São Paulo, para Icaraíma, no noroeste do Paraná, ao serem contratados por Alencar Gonçalves de Souza para cobrar uma dívida.

A polícia apurou que havia uma cobrança de dívida de R$ 255 mil, relacionada à venda de uma propriedade rural por Alencar à família Buscariollo. O pagamento foi dividido em dez notas promissórias de R$ 25 mil cada, mas nenhuma parcela foi paga. Caso os cobradores conseguissem o pagamento, receberiam metade do valor arrecadado.

Ainda no dia 4 de agosto, todos foram até o distrito de Vila Rica para fazer o primeiro contato com Antônio e Paulo. Nesta ocasião, a polícia apurou que os Buscariollo tentaram ceder uma casa na área urbana da cidade, mas as partes não chegaram a um acordo.

A câmera de segurança de uma panificadora de Icaraíma fez o último registro dos quatro com vida na manhã do dia 5 de agosto.

Segundo a polícia, por volta das 12h daquele mesmo dia, as vítimas conversaram com as famílias pela última vez. Também foi nesta data que a polícia acredita que os quatro homens foram mortos em uma emboscada assim que voltaram à propriedade rural dos suspeitos, por volta das 12h30.

Em 6 de agosto de 2025, a esposa de Robishley procurou a polícia do estado de São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos dele, sem saber dos homicídios.

Quem são os suspeitos e as fichas criminais
Antônio Buscariollo, de 66 anos, e o filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22, foram ouvidos na delegacia no dia 6 de agosto de 2025. Na ocasião, confirmaram que houve um negócio de compra e venda de uma propriedade com um dos irmãos Buscariollo, mas negaram a relação direta com a dívida.

Após serem liberados, eles desapareceram, assim como todos os familiares deles que moravam no mesmo local. Pai e filho eram considerados foragidos até a última atualização desta reportagem.

A polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa deles no dia 7 de agosto de 2025.

Antônio possui antecedente criminal por posse ilegal de arma de fogo, mas Paulo não tem passagens pela polícia.

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