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Parte do Pacífico já registra anomalia de El Niño, mas fenômeno ainda não está oficialmente declarado

calendar_month 21/04/2026
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Parte do Pacífico já registra anomalia de El Niño, mas fenômeno ainda não está oficialmente declarado

Crédito da imagem: (Foto: NOAA Coral Reef Watch)

O Oceano Pacífico deu nesta última segunda-feira (20) o primeiro sinal concreto de que o El Niño está realmente se aproximando.

Pela primeira vez em 2026, a temperatura da superfície do mar na região central do Pacífico equatorial — a faixa usada como referência oficial para identificar o fenômeno — atingiu o limiar mínimo que caracteriza o aquecimento.

Mesmo assim, o El Niño ainda não está declarado, e entender por quê isso acontece exige uma explicação sobre como a ciência monitora o oceano.

ENTENDA: O El Niño é caracterizado pelo aquecimento maior ou igual a 0,5°C das águas do Oceano Pacífico. O fenômeno acontece com frequência a cada dois a sete anos.

O Pacífico não é medido como um bloco único. Agências climáticas acompanham separadamente diferentes faixas do oceano equatorial, cada uma com um nome.

A mais importante para declarar o El Niño é chamada de Niño 3.4, uma região central que serve de termômetro oficial do fenômeno.

Nesta semana, ela registrou anomalia de +0,5°C — exatamente no limite mínimo.

É a primeira vez desde 1° de maio de 2024 que essa zona do oceano chega a esse patamar.

Naquela data, o Rio Grande do Sul vivia o auge das enchentes provocadas, em parte, pelo superaquecimento do Pacífico nos meses anteriores.

Mas uma semana no limiar não é suficiente para declarar o fenômeno. Para que o El Niño seja oficialmente reconhecido, essa anomalia precisa se manter por várias semanas seguidas, acompanhada de mudanças correspondentes na circulação atmosférica.

Por enquanto, há apenas esse primeiro registro.

Mas a tendência, de acordo com meteorologistas, é de que o fenômeno esteja plenamente configurado em meados de maio ou, no mais tardar, em junho.

Há ainda uma camada a mais de complexidade na leitura dos dados. Desde o início deste ano, a NOAA — a agência climática americana — passou a usar um índice diferente para fazer o cálculo oficial.

O novo método desconta o aquecimento geral dos oceanos do planeta antes de medir o Pacífico, para separar o que é El Niño de verdade do que é simplesmente o novo padrão de mares mais quentes impulsionado pela crise climática.

Por esse critério mais rigoroso, o valor mais recente ainda é negativo — tecnicamente dentro do território da La Niña, o fenômeno de resfriamento que está perdendo força desde o início do ano.

Apesar disso, todos os sinais apontam na mesma direção. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos emitiu um alerta formal de que o El Niño está a caminho e estima em 61% a probabilidade de o fenômeno se consolidar entre maio e julho, com tendência de durar pelo menos até o fim de 2026.

As camadas mais profundas do oceano vêm ainda acumulando calor de forma consistente desde dezembro e esse reservatório de energia tende a subir para a superfície nas próximas semanas, acelerando o processo.

A intensidade do que está por vir, contudo, ainda é incerta. Como mostrou o g1, as previsões para o fim do ano apontam chances quase iguais de um evento moderado, forte ou muito forte — e há uma probabilidade em quatro de que seja um dos El Niños mais intensos já registrados.

Para o Brasil, o fenômeno costuma trazer chuvas acima da média no Sul e períodos mais secos no Norte e no Nordeste, mas os impactos concretos dependem de quando e como o El Niño atinge seu pico nos próximos meses.

O que é o El Niño — e por que ele importa tanto
O El Niño é um aquecimento fora do normal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha do Equador.

Ele faz parte de um ciclo natural do clima que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras — com impactos em várias regiões do planeta.

Esse aquecimento muda a circulação da atmosfera e altera o padrão de chuvas e temperaturas em diferentes partes do mundo.

No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: o Sul tende a ter mais chuva, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

O fenômeno também influencia a temperatura global. Em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, somando-se ao aquecimento global.

A intensidade varia de um evento para outro, assim como os impactos. E, com o planeta já mais quente, mesmo episódios moderados podem ter efeitos mais fortes do que no passado.

Possíveis impactos no Brasil
Historicamente, o El Niño altera o padrão de chuva e temperatura no país e causa:

  • aumento de chuva no Sul, com risco maior de eventos extremos;
  • redução de chuvas no Norte e em partes do Nordeste;
  • mais irregularidade nas precipitações no Sudeste e Centro-Oeste;
  • maior frequência de ondas de calor.

Segundo especialistas, um dos principais efeitos esperados é o aumento de períodos prolongados de calor, especialmente na primavera e no verão.

Mesmo com a alternância entre La Niña, neutralidade e El Niño, os cientistas destacam que o aquecimento global continua sendo o principal fator por trás das mudanças no clima.

Com os oceanos já mais quentes do que a média histórica, a expectativa é de que os próximos meses sigam registrando temperaturas elevadas em várias regiões do planeta.

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