O programa Record Kids: Desenhos Bíblicos, exibido nas manhãs de domingo pela Record, deixou de ter classificação indicativa livre e passou a ser recomendado para maiores de 12 anos. A reclassificação foi determinada pelo Ministério da Justiça após a identificação de conteúdos relacionados a violência, drogas e atos criminosos nas animações. A decisão provocou uma onda de críticas de parlamentares da oposição, que acusam o governo Lula de perseguição religiosa.
A mudança foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e repercutiu entre deputados do PL, que questionaram os critérios utilizados pelo governo para alterar a classificação da atração.
De acordo com o Ministério da Justiça, o programa apresenta conteúdos relacionados a “atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito”. A decisão foi assinada por Eduardo de Araújo Nepomuceno, coordenador-geral de Políticas de Classificação Indicativa.
Exibido desde 2003, o Record Kids reúne animações baseadas em histórias bíblicas. Atualmente, o programa vai ao ar aos domingos, das 9h às 10h30.
Apesar da mudança, a atração não foi proibida para crianças menores de 12 anos. A classificação indicativa tem caráter informativo e busca orientar pais e responsáveis sobre o conteúdo exibido, sem impedir o acesso de públicos com idade inferior à recomendada.
Deputados acusam governo Lula de perseguição à Bíblia
A alteração provocou reações de parlamentares da oposição nas redes sociais. Deputados classificaram a medida como um ataque à liberdade religiosa e questionaram a avaliação feita pelo Ministério da Justiça.
O deputado estadual Major Mecca (PL-SP) manifestou preocupação com o que considera uma perseguição crescente aos valores cristãos.
“Um ataque direto à nossa fé e à formação das nossas crianças”, declarou.
O parlamentar também cobrou a divulgação do parecer técnico que embasou a reclassificação e questionou quais passagens bíblicas teriam sido consideradas inadequadas.
Na mesma linha, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) criticou a decisão e destacou que a atração está na programação da emissora há mais de duas décadas.
“Agora até desenho bíblico virou problema para o regime Lula!”, escreveu.
O deputado também defendeu a liberdade religiosa como um direito assegurado pela Constituição Federal.
Júlia Zanatta e General Girão também criticam reclassificação
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) também contestou a mudança. Para ela, a escolha dos conteúdos que as crianças devem assistir cabe às famílias, e não ao poder público.
“A perseguição à Bíblia chegou à classificação indicativa do governo Lula”, publicou.
Como argumento, a parlamentar mencionou histórias bíblicas que retratam episódios de violência, como Davi e Golias e Caim e Abel, além da trajetória de José, vendido pelos próprios irmãos.
“Quem educa nossos filhos são os pais, não o governo!”, acrescentou.