O empresário Hugo Gabriel Moll, que segundo a Polícia Civil foi morto por engano em uma barbearia de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, não era cliente do estabelecimento e parou por acaso no local para arrumar a própria barba porque ia viajar com o filho de 12 anos.
A informação é da mãe da vítima, Osvaldina Moll, que afirma que Hugo estava conversando com o sobrinho pelo celular pouco antes de descer da caminhonete e contou que só decidiu parar porque viu que um cliente havia acabado de sair.
O delegado Luis Gustavo Timossi afirma que este cliente era um homem envolvido com tráfico de drogas e o verdadeiro alvo do crime. Segundo o policial, os suspeitos receberam a informação de que o alvo estava na barbearia, mas não viram que ele saiu minutos antes — e, como já chegaram atirando, atingiram Hugo e ele morreu na hora.
O crime aconteceu no dia 19 de junho na Avenida Pedro Wosgrau, Bairro Cará-Cará, e foi registrado por câmeras de segurança. Nas imagens, é possível ver que o verdadeiro alvo do assassinato saiu com o carro cerca de 10 segundos antes de o empresário estacionar a caminhonete, e que os atiradores chegaram aproximadamente 10 minutos depois.
A confirmação de que o empresário foi morto por engano foi divulgada pela Polícia Civil nesta terça-feira (28), após a prisão de cinco suspeitos de envolvimento no assassinato. Relembre mais abaixo.
No local, estavam Hugo e o barbeiro, João Victor Pereira, que foi baleado no tórax, passou mais de 20 dias internado e está se recuperando em casa. Para a polícia, o dono da barbearia foi baleado "em uma aparente tentativa dos executores de eliminar testemunhas no local”.
Hugo Gabriel Moll tinha 39 anos, era empresário no ramo de construção civil, deixou a esposa — com quem estava junto há cerca de 20 anos, mas havia casado 20 dias antes — e um filho de 12 anos. Segundo a polícia, ele não tinha histórico de passagem por nenhum crime.
Cinco presos
Cinco homens foram presos temporariamente nesta terça-feira (28) suspeitos de participação no crime. São eles:
- um homem de 34 anos, identificado como organizador da ação, que possui anotações criminais por tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e lesão corporal;
- um homem de 24 anos, identificado como responsável pelo fornecimento de ponto de apoio aos demais e pela cessão do armamento utilizado. Ele conta com histórico por homicídio, tráfico de drogas e receptação;
- um homem de 27 anos, identificado como responsável pelo monitoramento do alvo e pela condução do veículo na fuga. Ele possui anotações criminais por tráfico de drogas;
- e um suspeito de 25 e outro de 19 anos. O delegado afirma que, "embora existam elementos indiciários de participação no crime", eles ainda não terão seu papel divulgado, "pois o caso demanda a realização de diligências complementares para a completa elucidação dos fatos".
Nenhum deles teve o nome divulgado.
"A investigação, de extrema complexidade, exigiu o cruzamento analítico de diversos dados e informações coletados no curso das diligências, com análise de imagens obtidas através do sistema viário Muralha Digital, de câmeras de segurança e de perícias realizadas", afirma o delegado.
Além dos cinco mandados de prisão temporária, a polícia também cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos. Agora os itens apreendidos serão analisados para a conclusão do inquérito.