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El Niño "muito forte" ameaça impactos no Brasil, diz Inmet

calendar_month 03/08/2026
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El Niño "muito forte" ameaça impactos no Brasil, diz Inmet

Crédito da imagem: Foto: José Fernando Ogura/Arquivo AEN

A confirmação de um fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial acendeu o sinal de alerta para o clima brasileiro nos próximos meses. De acordo com o Boletim do Painel El Niño 2026–2027, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno se manter até, pelo menos, o início de 2027.

Além disso, os dados apontam para uma alta probabilidade de ocorrência de um El Niño de intensidade "muito forte" entre a primavera e o verão deste ano, quando os desvios de temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico central e oriental devem ultrapassar os 2,0°C acima da média.

Para o trimestre que começou em julho e segue com agosto e setembro, a previsão aponta chuvas acima da média em áreas da Região Sul e volumes abaixo do normal em grande parte do centro-norte do país, incluindo áreas do Nordeste e partes das regiões Norte e Centro-Oeste.

O boletim foi elaborado de forma conjunta por órgãos governamentais, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden).

Prognóstico para o trimestre
A previsão climática sazonal aponta para a manutenção de dois cenários bem distintos no território nacional:

  • Centro-Norte, Norte e Nordeste: a expectativa é de chuvas abaixo da média histórica. A combinação de pouca precipitação com temperaturas acima da normalidade eleva substancialmente o risco de ondas de calor e a incidência de incêndios florestais e queimadas em áreas do Centro-Oeste, do Matopiba (região de expansão agrícola que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e da Bahia). e do arco sul da Amazônia.
  • Região Sul: espera-se volume de chuva acima da média histórica. Embora o excesso de nebulosidade diminua os riscos de geadas tardias, o acúmulo de umidade no solo exige atenção para possíveis eventos geo-hidrológicos futuros e eleva os riscos de doenças fúngicas no campo.
  • Ondas de calor: em grande parte do território nacional, as temperaturas devem registrar marcações acima da média climatológica, elevando a possibilidade de novos episódios de ondas de calor na faixa central do país.

Impactos no agro e recursos hídricos
Os desdobramentos sobre a economia e a agricultura já são monitorados pelas autoridades:

  • Grãos e lavouras: a colheita do milho 2ª safra, algodão e cana-de-açúcar no Centro-Oeste e os cultivos de inverno no Sul tendem a ser favorecidos pelas condições atuais. Contudo, no Centro-Oeste e Norte, a aceleração da perda de umidade do solo pode prejudicar as pastagens e o plantio da próxima safra.
  • Bacias hidrográficas: o nível das águas no Rio São Francisco e em rios da Bacia Amazônica permanece em monitoramento crítico. Apesar da recuperação em áreas do Nordeste até maio, a seca moderada ainda atinge um terço da região, exigindo acompanhamento permanente para garantir a segurança hídrica.

O boletim também aponta atenção para áreas afetadas pela seca. Dados do monitoramento indicam que regiões como partes do Tocantins, Pará, Amazonas, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais apresentam pontos de estiagem moderada e severa.

ONU faz alerta
O cenário de aquecimento projetado para o Brasil alinha-se às advertências globais emitidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). A ONU classificou o atual avanço do El Niño como um "alerta climático urgente".

A agência meteorológica da ONU alertou que o fortalecimento do El Niño a partir deste mês de agosto tende a elevar ainda mais as temperaturas mundiais e a alterar os padrões climáticos em escala global.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo incisivo sobre a emergência climática global:

"O El Niño está se intensificando – jogando lenha na fogueira de um planeta já em chamas, com ondas de calor escaldantes, incêndios florestais apocalípticos e mares com temperaturas recordes. Os combustíveis fósseis estão alimentando as chamas dessa crise."

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